ANÁLISE MICROBIOLÓGICA E FORMAS DE DESINFECÇÃO DE ESPONJAS DE USO DOMÉSTICO

ANÁLISE MICROBIOLÓGICA E FORMAS DE DESINFECÇÃO DE ESPONJAS DE USO DOMÉSTICO

Ana Luiza Santos¹; Thauany Carvalho dos Santos²; Juliana Patrícia Martins de Carvalho3; Jefferson Rodrigues4

RESUMO

Um dos grandes problemas de saúde pública está relacionado com a contaminação de alimentos, causada por micro-organismos presentes nas cozinhas das residências e estabelecimentos, como restaurantes, padarias, entre outros. As esponjas, que são utilizadas para a lavagem dos utensílios e muitas vezes de alguns alimentos, podem armazenar e transferir grandes quantidades desses micro-organismos, promovendo a sua contaminação. Essas esponjas podem reter restos de alimentos que servirão de reservatório para possíveis patógenos. Desse modo, se a higienização não for adequada, corre-se o risco de haver contaminação cruzada, considerando que a forma como a maioria das pessoas as utilizam, acaba colaborando para a proliferação de agentes contaminantes. O objetivo desta pesquisa é avaliar as condições higiênico-sanitárias de esponjas empregadas na lavagem dos utensílios domésticos, procurando identificar possíveis contaminações. Serão analisadas vinte esponjas, utilizando técnicas microbiológicas tradicionais e método rápido, para a determinação dos micro-organismos, além de bolores e leveduras. Esperamos que os resultados mostrem uma quantidade de patógenos proporcional à forma de uso e acondicionamento, de forma que possam ser determinados métodos eficazes de desinfecção de tais esponjas, evitando, assim, o risco de ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA’s), que são muito comuns. Mesmo tendo reduzido o número de surtos de DTA’s, elas ainda ocorrem, muitas vezes, devido à falta de higienização nas cozinhas, que frequentemente está associada com a forma de utilizar   e acondicionar as esponjas, como já mencionado anteriormente.

Palavras-chave: Desinfecção; Contaminação; Micro-organismos; Esponjas.

ABSTRACT

One of the major public health problems is related to food contamination, caused by microorganisms present in the kitchens of houses and establishments such as restaurants, bakeries, aside from. Where sponges, which are used to wash tableware and often some foods, can store and transfer large quantities of these microorganisms promoting their contamination. These sponges can retain food fragments that will serve as a reservoir for possible pathogens. Thus, if hygiene is not adequate, there is a risk of cross contamination, considering that the way most people use them ends up contributing to the proliferation of contaminating agents. The objective of this research is to evaluate the hygienic-sanitary conditions of sponges used in washing household utensils, seeking to identify possible contamination. Twenty sponges will be analyzed, using traditional microbiological techniques and a swift method, for the determination of microorganisms in addition to molds and yeasts. We hope that the results show an amount of pathogens proportional to the form of use and packaging so that effective methods of disinfecting such sponges can be determined, along this line avoiding the risk of occurrence of Foodborne Diseases (DTA’s) that are very common, even having reduced the number of outbreaks of DTA’s, they still occur, many times, due to the lack of hygiene in the kitchens, which is often associated with the way to use and pack the sponges, as mentioned above.

Keywords: Disinfection; Contamination; Microorganisms; Sponges.

1- Aluna do Curso Técnico de Análises Clínicas – Centec, anaaluizaasts@gmail.com; 2- Aluna do Curso Técnico de Análises Clínicas – Centec, thauany.rvk@hotmail.com; 3 – Graduação em Ciências Biológicas/UFMG-2001, Graduada em Medicina Veterinária – UFMG-2014, Pós Graduação em Ciência Animal , Microbiologia e em Gestão no Ensino de Biologia, Professora da FUNEC/CENTEC, julianapmdc@gmail.com;  4 – Formado em Ciências Biológicas – UNA, Especialização em Análises Clínicas. Professor da FUNEC/CENTEC, jeffersonr2004@gmail.com;

1.     INTRODUÇÃO

Um dos grandes problemas de saúde pública está relacionado com as (DTA’s), quando micro-organismos patogênicos são responsáveis pela    contaminação dos alimentos. Sobre  tais contaminações,  Franco & Landgraf (2008) afirmam que os alimentos são facilmente contaminados por agentes biológicos patogênicos, seja no momento  de manipulação e/ou no preparo, causando muitas vezes, doenças. Gorman et.al. (2002) em uma pesquisa feita na  Irlanda, ao fazer a análise da incidência de possíveis patógenos alimentares e avaliação de contaminação cruzada em áreas domésticas, durante a preparação de frango assado para o almoço, revelou os principais locais de contato na cozinha doméstica, incluindo o antes e após à preparação do  frango assado. Mais de dez locais de contato, em vinte e cinco cozinhas domésticas foram analisados e testados quanto à contagem de placas de diversos micro-organismos. Assim, constataram que os micro-organismos de doenças transmitidas por alimentos são capazes de se disseminar a partir de alimentos infectados, como em frangos frescos.

Entendem-se que, fazer a análise de esponjas utilizadas em períodos e condições  diferentes é de extrema importância para se  prevenir tais doenças, por meio da desinfecção, e formas seguras de acondicionamento destas, de acordo com as normas higiênico-sanitárias, evitando a proliferação de patógenos.

Percebe-se que muitos consumidores não conhecem “as condições necessárias para uma correta manipulação de alimentos, incluindo-se o    armazenamento (locais, temperatura, tempo de armazenamento) e, principalmente, os perigos que podem estar associados aos alimentos contaminados”. (AMSON; HARACEMIV; MASSON, 2006). Dessa forma, o controle de qualidade no serviço de alimentação e os cuidados nas cozinhas domésticas são de extrema importância, havendo a necessidade de sua efetivação para diminuir os casos de DTA’s (SILVA JUNIOR, 2008).

Neste contexto, este trabalho tem como objetivo analisar as condições que as esponjas são submetidas ao serem utilizadas, avaliando o motivo de se constituirem numa potencial fonte de  contaminação, além de propor uma metodologia eficiente de desinfecção, de forma a reduzir as DTA’s.

As  DTA’s,  normalmente,  ocorrem por contaminação cruzada, termo utilizado para definir a transferência de bactérias e vírus de alimentos contaminados para outros alimentos, ela pode se dar, principalmente por meio de manipuladores, vetores, superfícies, utensílios, equipamentos ou outros alimentos (LUBER; RODRIGUEZ, 2009).

Segundo HAVELAAR et al. (2010), apesar dos esforços  significativos, ainda existe uma grande quantidade de pessoas que  adquirem tais DTA’s, e os surtos relatados representam apenas uma  pequena parcela de todos os surtos reais (GREIG & RAVEL, 2009).

As esponjas de limpeza se destacam por serem capazes de  transferir grandes quantidades de micro-organismos para utensílios e, também, superfícies que se utilizam para preparar os alimentos (KUSUMANINGRUM, H. D. et al., 2003).

Os micro-organismos entram nas residências de diversas formas e podem ficar retidos em superfícies de contato com alimentos,  o que aumenta o risco de contaminação cruzada (GORMAM; BLOOMFIELD; ADLEY, 2002).

Durante o período de uso das esponjas, de acordo com Sharma, M. et al. (1995), pode haver o acúmulo de bactérias, uma vez que essas podem reter restos de alimentos, gerando um meio  propício para o desenvolvimento de micro-organismos capazes de  contaminar outros alimentos.

Diversos estudos mostram que as bactérias encontradas em esponjas podem sobreviver por horas, o que significa que elas são as principais responsáveis pela contaminação nas cozinhas (KUSUMANINGRUM et al. 2003).

A alimentação, dentro de condições favoráveis de higiene, é   um dos pilares primordiais para a manutenção da saúde, portanto, uma deficiência nesse controle terá como consequência, surtos de doenças transmitidas por alimentos, que estará relacionada com as  condições higiênico- sanitárias insatisfatórias dos utensílios e manipuladores (OLIVEIRA, 2003).

2.     METODOLOGIA

Inicialmente, a metodologia foi baseada nas principais referências bibliográficas, que abordaram temáticas e métodos semelhantes aos da pesquisa em questão. Em um segundo momento, foram elaborados questionários para fazer um levantamento a respeito das condições em que as esponjas são utilizadas, e se são submetidas a algum tipo de desinfecção. O objetivo é apresentar para a comunidade escolar a metodologia aplicada, para identificar a presença de possíveis patógenos em esponjas domésticas e estabelecer formas eficientes de desinfecção. Dentre os autores da revisão bibliográgica, três tiveram destaque, servindo-se de base, por utillizarem procedimentos similares aos pretendidos no presente projeto.

Tendo-se como referência Srebernich, S. M. et al (2007), “foram coletadas esponjas sintéticas de espuma de poliuretano empregadas na lavagem de utensílios, utilizadas com detergente convencional por três dias consecutivos.  Os manipuladores foram orientados a usar as esponjas da mesma forma que utilizavam na rotina normal de trabalho”. (SREBERNICH, S. M. et al., 2007).

De acordo com Simon, D.; Benedetti, V. P. (2016),

após o contato prévio e o consentimento verbal dos responsáveis pelos estabelecimentos, as esponjas foram transportadas em condições isotérmicas, dentro de sacos estéreis, até o laboratório de Análises Microbiológicas (…).

No laboratório, [conforme (Apha (1992) e Silva (1997), apude SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016) ], as esponjas foram cortadas assepticamente em três partes iguais, onde à primeira das três partes foram adicionados 100 ml de água peptonada 0,1% com 0,1 ml tiossulfato de sódio 10%, para neutralizar os resíduos de detergente. Posteriormente, esta parte da  esponja seria submetida à quantificação de coliformes totais e coliformes termotolerantes.

Para a determinação e contagem de  coliformes totais e coliformes termotolerantes foi pipetado 1mL das diluições previamente preparadas, e, depois, semeadas em placas de Petri duplicadas, contendo Ágar EMB (Ágar eosina azul de metileno) e em tubos contendo meio de cultura caldo verde brilhante e caldo EC, que são utilizados para o crescimento de coliformes totais e termotolerantes (E. coli). Depois da homogeneização, as placas foram vinculadas em estufa a 37°c por 48 horas. Em seguida, realizaram-se a leitura e o cálculo das Unidades Formadoras de Colônias – UFC (…). (SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016).

Seguindo a mesma linha de raciocínio, Srebernich, S. M. et al. (2007), em sua:

análise microbiológica, [realizou] diluições decimais de 10-1 a 10-8 do líquido resultante das esponjas adicionadas de água peptonada, sendo posteriormente utilizado para contagem e identificação dos coliformes totais com diferenciação para E. coli, S. aureus, bolores e leveduras pelo método microbiológico tradicional, realizando-se testes bioquímicos, teste de coagulase, provas micromorfológicas e fisiológicas, respectivamente; e pelo método rápido PETRIFILM 6410, 6423 e 6407 da 3M do Brasil. (SREBERNICH, S. M. et al., 2007).

Em relação à desinfecção, de acordo com Simon, D.; Benedetti, V. P. (2016),

a segunda parte das esponjas foi submetida à desinfecção por fervura, durante cinco minutos, na qual as esponjas foram mergulhadas em frascos contendo 300mL de água estéril, sendo o tempo de fervura quantificado após o início do surgimento de bolhas na água onde as esponjas foram imersas. A terceira parte das esponjas foi submetida à desinfecção com hipoclorito de sódio a 200ppm, por 10 minutos, com posterior enxague em água potável. Após os procedimentos de desinfecção, ambas as partes de cada esponja foram adicionadas de água peptonada 0,1% e analisadas, segundo os mesmos parâmetros da  primeira parte (KUSUMANIGRUM et al., 2003 apud SIMON; BENEDETTI, 2016. p. 73).

3.     RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados do trabalho em questão foram elaborados com base em pesquisas já desenvolvidas com temáticas semelhantes, que utilizaram metodologias similares e possuíam objetivos análogos ao do presente projeto. Além disso, para a conclusão do trabalho, adicionaram-se a análise dos questionários respondidos, virtualmente, por estudantes da Funec – Unidade Centec.

Sendo assim, de acordo com Moura; Soares; Beserra (2017),

os resultados das análises microbiológicas realizadas nas amostras das esponjas provenientes de 8 residências envolvidas no estudo, encontram-se na Tabela 1, onde se verifica que houve uma contaminação muito elevada (75%) de coliformes totais, indicando maior probabilidade de risco à saúde por contaminação cruzada.

Para coliformes termotolerantes, houve contaminação similar, em que 75% das amostras se apresentaram com o mais alto valor de contaminação.

Estudos semelhantes, como o de Kusumaningrum et al. (2003), demonstraram que 67% de 100 esponjas e 78,3% de 84 esponjas coletadas nos Estados Unidos e no Japão, respectivamente, estavam contaminadas por coliformes fecais ou termotolerantes. (MOURA; SOARES; BESERRA, 2017).

Tabela 1: Resultado das análises de coliformes totais  e termotolerantes pelo método do Número Mais Provável (NMP/g), nas amostras de esponjas utilizadas na lavagem de  utensílios e equipamentos de residências de Teresina, PI.

Srebernich, S. M. et al. (2007) afirma, ainda, que ocorreu uma:

(…) contaminação elevada de coliformes totais, E. coli e S.aureus nas amostras de diversas empresas analisadas, com contagens que variaram de 105 a >108 UFC/ml [ (Tabela 2)], observando-se pequena diferença nos resultados, sendo esta maior, quando se utilizou o método PETRIFILM (nas empresas A, B e C). (…) Comparando-se esses resultados com os limites máximos estabelecidos pela RDC 12 de 2001, para alimentos prontos para consumo, a qual é até 10³ para estafilococos coagulase positivo/g, verificou-se que pelo método tradicional 66,7% das esponjas das empresas supracitadas apresentaram valores de contaminação acima do permitido, enquanto que para o método  rápido Petrifim, todas se apresentaram fora do limite (…).

Quanto a bolores nas esponjas, praticamente não houve  diferença em função dos métodos utilizados, detectando-se somente maior contagem em PETRIFILM nas empresas A e B (Tabela 1). (SREBERNICH, S. M. et al. 2007)

Tabela 2: Avaliação microbiológica de esponjas contendo agente bactericida após três dias de uso em Unidades de Alimentação e Nutrição

Fonte: Srebernich, S. M. et al.(2007)

Os resultados de Simon; Benedetti (2016), expostos no gráfico 1 demonstraram que (…)

 77,77% das esponjas analisadas também estavam contaminadas por coliformes totais, e 44,44% por coliformes termotolerantes, indicando maior probabilidade de risco à saúde, por contaminação cruzada, e a não utilização de procedimentos higienicossanitários corretos, podendo levar à contaminação de alimentos, aumentando, assim, os riscos de uma toxinfecção alimentar. (SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016).

Da mesma forma, Enriquez et al. (1997 apud SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016),

em sua pesquisa com esponjas domésticas de cozinhas, de quatro cidades do USA, utilizando técnica de contagem em meios de cultura tradicionais, encontraram 1,15×105 e 4,46×102 UFC/ml de coliformes totais e fecais, respectivamente, (…). (SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016).

Figura 1: Percentual de contaminação por coliformes totais e coliformes termotolerantes das esponjas de limpeza, utilizadas em cozinhas dos restaurantes de Marmeleiro – PR. 2012.

Tabela 3: Redução do nível de crescimento de coliformes entre as técnicas de desinfecção aplicadas às esponjas coletadas.

Srebernich et al. [(2005)] encontraram contaminação por S. aureus em esponjas de uma cozinha industrial analisada, enquanto que Enriquez et al. (1997) verificaram que 20% das esponjas de cozinhas domésticas estavam contaminadas com essa bactéria (…) e, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o microrganismo responsável por maior número de surtos de toxinfecção alimentar é o S. aureus.( SREBERNICH et al. 2007).

Avaliando os artigos que apresentaram questionários, destacaram-se os dados apresentados por Moura; Soares; Beserra (2017) em seus gráficos, onde:

(…) foi observado que cerca de 62,5% das pessoas usavam as esponjas não só para lavar louças, como também para limpar mesa, (…) e 25% das residências usam a mesma esponja para lavar banheiro, ou seja, um local cheio de bactérias, propiciando que essas bactérias passem para essas pessoas por contaminação cruzada [(gráfico 2)]. (MOURA; SOARES; BESERRA, 2017).

A utilização das esponjas em locais diversos aumenta ainda mais sua contaminação, uma vez que entra em contato com diferentes superfícies que podem abrigar grandes quantidades dos mais variados micro-organismos.

Gráfico 1: Formas de uso das esponjas usadas em  residências na cidade de Teresina, PI.

Como pode ser observado no gráfico 2, “37,5% só trocavam as esponjas, anualmente, ou seja, quando elas estavam sem condições de uso”. (MOURA; SOARES; BESERRA, 2017).

Gráfico 2: Tempo de uso das esponjas usadas para  lavar utensílios em residências na cidade de Teresina, PI.

Em relação à desinfecção (gráfico 3), cerca de “87,5% não faziam a desinfecção nas esponjas, pois não tinham o conhecimento de nenhum tipo de método de desinfecção. Apenas 12,5% faziam a desinfecção pelo método de fervura” (…), sendo que o correto seria submeter as esponjas à desinfecção diária. (MOURA; SOARES; BESERRA, 2017).

Gráfico 3: Prática de desinfecção das esponjas usadas nas residências na cidade de Teresina- PI.

Nesse trabalho, foram aplicados questionários à 50 alunos da Funec – Unidade Centec, e os resultados apresentaram  dados bastante diferentes dos vistos anteriormente em outras pesquisas.

Em relação à utilização das esponjas, nenhuma das pessoas respondeu que as empregavam na limpeza de banheiros, juntamente com outras tarefas, o que é considerado muito bom, pois os banheiros são locais que abrigam diversas bactérias, às quais poderiam infectar as pessoas por meio da contaminação cruzada, facilitada pela esponja. E, analisando o gráfico, a maioria afirmou lavar louças e panelas com as esponjas, não havendo nenhum problema se for feita a limpeza e acondicionamento adequado dessas esponjas (gráfico 4).

Gráfico 4: Formas de utilização das esponjas na rotina doméstica em residências de alunos da Funec – Unidade CENTEC

Além disso, conforme o gráfico 5, apenas 36% das pessoas pesquisadas submetem as esponjas a métodos de desinfecção, e, como pode ser observado no gráfico 7,30%  não promove a troca da esponja,  a menos que esta esteja totalmente gasta, o que agrava a contaminação do instrumento de limpeza. Os outros 70% envolvidos na troca das esponjas, substituem por novas apenas mensalmente, ou de 15 em 15 dias.

Gráfico 5: Prática de desinfecção das esponjas utilizadas no ambiente doméstico de alunos da Funec – Unidade CENTEC.

Gráfico 6: Período de uso e troca das esponjas empregadas em cozinhas domésticas de alunos da Funec – Unidade CENTEC

Sobre a forma de armazenar as esponjas, constataram-se que 38% das  pessoas não verificam se o recipiente está seco, outros 38% também as armazenam em recipiente limpo e seco, e o restante das pessoas pesquisadas afirmaram não acondicionar as esponjas em recipientes, ou não verificarem como  está o recipiente em geral. Dessa maneira, há grandes chances de tais esponjas armazenarem uma maior quantidade de microorganismos, uma vez que um recipiente em condições ideiais deve estar limpo e seco, e menos de 50% das pessoas verificam o estado do recipiente da forma correta.

Disseram, ainda, guardar predominantemente a esponja úmida, cerca de 47% das pessoas, o que pode torná-la ainda mais propícia à proliferação de micro-organismos. E, apenas 22% armazenam a esponja seca, como pode ser observado no gráfico 8.

Gráfico 7: Condições de armazenamento das esponjas  em recipientes

Srebernich et al. (2005 apud SIMON; BENEDETTI, 2016. p. 76) “comentam que a prática comum de se utilizar esponjas na limpeza de placas de corte, balcões e superfícies da cozinha leva à contaminação destas em função dos micro-organismos presentes nas esponjas, ou vice- versa”. E, ainda, Raloff (1996 apud SIMON; BENEDETTI, 2016. p. 76) “comenta que normalmente as esponjas estão úmidas, proporcionando um ambiente hospitaleiro para as bactérias”.  Assim, a melhor forma de armazenar as  esponjas  seria em ambiente limpo e seco, e elas também devem estar secas e sem  resíduos de alimentos ou sabão.

Gráfico 8: Condições das esponjas ao serem acondicionadas

De acordo com Simon, D.; Benedetti, V. P. (2016),

referente aos métodos de desinfecção, utilizando hipoclorito ou pelo método de fervura, verificou-se que ambos demonstraram eficácia na redução de bactérias das esponjas, contudo a fervura foi capaz de reduzir um maior número de micro-organismos, (…) sendo 3×104 vezes mais eficiente na inibição do crescimento bacteriano. (SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016). Isso é reforçado por Moura; Soares; Beserra (2017), que afirman ser “um método muito eficaz para eliminar os patógenos existentes nas esponjas e que possibilita que as esponjas tenham uma durabilidade maior” (MOURA; SOARES; BESERRA, 2017. p. 50).

A eficiência da fervura pode ser explicada pela elevada temperatura da água capaz de desnaturar proteínas  e, consequentemente, destruir a integridade das membranas, causando a morte dos micro-organismos. (KUSUMANINGRUM, H. D. et al., 2003 apud SIMON; BENEDETTI, 2016. p. 77). Resultados [similares] foram encontrados por Rossi, E. M (2010), que encontrou efetividade na destruição de coliformes nos dois métodos, contudo a fervura por cinco minutos reduziu 99,99% das bactérias nas esponjas” (Rossi, 2010 apud SIMON; BENEDETTI, 2016. p. 76).

Os resultados encontrados nesse estudo, fundamentados por diversos autores, demonstraram que as esponjas têm capacidade de armazenar uma grande quantidade de patógenos. E esta quantidade pode variar, de acordo com as condições em que as esponjas são mantidas. Além disso, é necessário promover a desinfecção das esponjas constantemente, para garantir sua durabilidade, e matar as bactérias presentes em suas superfícies porosas. E, para isso, existem métodos simples, “que podem ser facilmente realizados no cotidiano, com certa frequência, alcançando reduções significativas de micro-organismos”. (SIMON, D.; BENEDETTI, V. P., 2016).

5.     CONCLUSÕES

Devido às medidas de contenção da pandemia do coronavírus, a parte prática laboratorial do projeto foi substituída pela prática de revisão bibliográfica, já que a coleta das esponjas e os experimentos em laboratório foram impossibilitados. Em vista disso, foi necessário mudar o modelo da prática que havia sido previsto, e optar por este, no qual o trabalho se baseou, apenas, nos estudos bibliográficos, analisando os artigos utilizados como base para o projeto em questão. Assim, de acordo com o referencial teórico, foi possível concluir que as esponjas podem apresentar um alto grau de contaminação, se submetidas à condições higiênico-sanitárias inadequadas, destacando-se como transportadoras de micro-organismos, gerando DTA”s.

Também foi possível concluir, a partir dos questionários, que grande parte das pessoas não possui o hábito de promover a desinfecção das esponjas, e não as acondicionam da maneira correta, favorecendo a proliferação de patógenos em suas superfícies.

Conforme as pesquisas realizadas, abordando diversos autores, os métodos de desinfecção por hipoclorito de sódio e por fervura foram considerados os mais eficientes, sendo que a fervura se destacou por reduzir maior quantidade de micro-organismos. Sendo assim, se a maioria das pessoas submetessem as esponjas à desinfecção, visto que os métodos são extremamente simples de serem aplicados, a incidência dos surtos de DTA’s diminuiria significativamente, uma vez que elas são resultantes da contaminação cruzada, muito comum em cozinhas, durante a preparação de alimentos.

6.     REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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