PROJETO VIDEOPALESTRAS: A VEZ E A VOZ JUVENIL NO ENSINO MÉDIO DA FUNEC INCONFIDENTES

PROJETO VIDEOPALESTRAS: A VEZ E A VOZ JUVENIL NO ENSINO MÉDIO DA FUNEC INCONFIDENTES

Rosemary Cândido Coelho¹; Ana Paula Martins Corrêa Bovo²; Viviane Raposo Pimenta³

RESUMO

Este texto relata a primeira experiência didática realizada com grupos de alunos no âmbito do projeto Videopalestras: a vez e a voz juvenil no Ensino Médio da FUNEC- Inconfidentes. Inspirado pela perspectiva de trabalho com gêneros discursivos, pela concepção dialógica da linguagem e pelos novos letramentos, o projeto nasce das demandas estudantis, da necessidade de imersão dos alunos em práticas de linguagem não comuns para eles. O desenvolvimento do percurso didático-metodológico, orientado pelas concepções e perspectivas citadas, promove o desenvolvimento da competência discursiva dos alunos, de um modo que valoriza os interesses e as demandas contextuais desse público-alvo, buscando trabalhar com gêneros relacionados à tipologia dissertativo-argumentativa de forma diferenciada do que muitas vezes se propõe, tradicionalmente.

Palavras-chave: Ensino médio; Vídeopalestras; Gêneros do discurso

ABSTRACT

This text reports the first didactic experience carried out with groups of students within the scope of the Videopalestras project: the turn and the youth voice in FUNEC- Inconfidentes High School. Inspired by the perspective of working with discourse genres, by the dialogical conception of language and by the new literacies, the project was born from student demands, from the need for students to immerse themselves in language practices that are not common to them. The development of the didactic-methodological path, guided by the aforementioned conceptions and perspectives, promotes the development of students’ discursive competence, in a way that values ​​the interests and contextual demands of this target audience, seeking to work with genres related to the argumentative-argumentative typology differently from what is often traditionally proposed.

Keywords: High school; Video lectures; Speech genres

1- Licenciada em Letras – UEMG /Atua na Fundação de Ensino de Contagem – FUNEC – Inconfidentes, e-mail: roseccoelho08@gmail.com; 2- Doutora em Letras – PUC Minas /Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG, e-mail: anapmcbovo@gmail.com; 3 – Doutora em Letras – Université de Lorraine / Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP, e-mail: vivianeraposopimenta@gmail.com

1. INTRODUÇÃO

Nos meios sociais (educacionais e trabalhistas), o gênero do discurso palestra costuma circular de forma oral ou escrita.  A proposta deste projeto é, portanto, à luz de tais perspectivas teóricas, que têm sido trazidas para reflexão teórica e prática das metodologias e métodos empregados desde 2020, na coordenação e mediação do Projeto Videopalestras: A vez e a voz juvenil no Ensino Médio Remoto, da Funec Inconfidentes, na busca por construir um percurso didático para o aprendizado desse gênero discursivo.

 Ressalta-se que o gênero do discurso palestra foi escolhido como objeto de estudo pela professora e seus alunos, porque estes acreditam que a leitura e a produção (escrita e oral) da palestra poderá contribuir para o letramento e facilitar a inserção dos educandos nos espaços acadêmicos e trabalhistas. Além disso, ao saber que a Funec possui, desde 2008, um Programa de Iniciação Científica Júnior, para motivar a entrada dos seus estudantes nesse universo relevante do conhecimento humano, o Videopalestras ganhou um cunho científico e interdisciplinar.

Diante disso, o objetivo principal desse projeto é estudara palestra escrita e oral, no contexto do Ensino Médio do turno matutino do IEC Inconfidentes, para facilitar a inserção dos estudantes desse ambiente escolar no Programa de Iniciação Científica e Extensão da Funec, e em outros meios acadêmicos e sociais.

2. METODOLOGIA

2.1 Relato de Experiência Profissional

No início do ano letivo de 2020, estava muito emocionada, porque iria lecionar na escola onde havia concluído o Ensino Médio e o Curso Técnico do Magistério. Inspirada nesses motivos pessoais, apresentei-me para as minhas seis turmas do Ensino Médio e, com menos de dois meses, realizamos de forma presencial, com o aval da Equipe Gestora, algumas etapas do Projeto Videopalestras, que poderia ter ficado só no papel, se não tivesse conquistado a confiança e o respeito das pessoas que faziam parte daquela comunidade escolar.

Ciente disso, logo nos primeiros contatos com os estudantes apresentei alguns projetos que eu havia aplicado em outros contextos escolares. No entanto, ao saber que eles estavam focados na redação dissertativa do ENEM, e que não estavam engajados no processo seletivo do Programa de Iniciação Científica da Funec, porque a maioria desconhecia essa iniciativa educacional, decidi planejar, com a participação dos alunos, um trabalho inédito que contemplasse na área da linguística e outras áreas do conhecimento, os dois objetivos delineados nas linhas anteriores e, de acordo com esses princípios, nasceu o Projeto Videopalestras, em referência. 

Mas, como planejar, escrever e mediar um projeto pedagógico em curto espaço de tempo, ou em pleno andamento do ano letivo? Esse foi um grande desafio, além da inserção de todas as atividades no ensino remoto. O presente texto relata, então, o caminho metodológico e alguns resultados da primeira experiência desenvolvida no âmbito deste projeto, a partir do qual desejamos traçar outros percursos formativos para o presente e para o futuro.

2.2 O caminho teórico-metodológico: algumas observações

De modo a promover o objetivo pretendido, ou seja, a construção de um percurso de aprendizagem para o gênero discursivo Videopalestras, no contexto da FUNEC, alguns passos, ações e orientações compuseram o caminho metodológico proposto ao grupo de alunos. Como apontado na introdução, com o intuito de possibilitar ampla participação dos alunos em práticas de leitura e escrita, demandadas pelo contexto (KLEIMAN, 2007), as perspectivas centrais que inspiram o projeto são a concepção de língua e linguagem, conforme proposta por Bakhtin (1992) –  como ação interindividual, social, dialógica; a proposta de trabalho com gêneros do discurso pautada nessa concepção (RODRIGUES, 2005), que prevê os gêneros como “universais concretos que circulam na vida real” (ROJO, 2015, p. 28), o conceito de novos letramentos, conforme postulado por Street (2013), e a ideia de educação como prática transformadora (FREIRE, 2009).

Com base nessas dimensões e perspectivas pensadas para o Ensino Médio (BUNZEN E MENDONÇA, 2006), intenciona-se, de maneira geral, colocar o aluno como centro de sua própria aprendizagem, interagindo de forma ativa e crítica com as informações, materiais e orientações (MORAN, 2015). Com tal intuito, foram propostas aos alunos as seguintes atividades, aqui delineadas resumidamente, tendo em vista o propósito deste texto:

  1. Promoção da palestra “Feminismo não é palavrão”, da autora Lavínia Rocha, para que os estudantes compreendessem como esse gênero do discurso se apresenta nos meios sociais, presenciais e virtuais;
  2. Pesquisa sobre o gênero do discurso Palestra (organização, funcionalidades, circulação) escrita e oral, e compartilhamento dos resultados a partir de rodas de conversas virtuais;
  3. Mediação do processo de escolha das temáticas de interesse dos alunos;
  4. Apresentação, em dinâmica inspirada na sala de aula invertida, sobre a temática, tese, argumentos, objetivos e estratégias esboçadas no planejamento da palestra oral, com avaliação pelos pares;
  5. Apresentação da palestra escrita para os educadores de outras disciplinas, para que esses profissionais efetivos se motivassem a orientar os estudantes nas etapas que fazem parte da pesquisa científica;
  6. Planejamento da palestra oral ou live, a partir dos resultados das pesquisas e do texto da palestra escrita;
  7. Apresentação das lives ao vivo e gravação de vídeos com os resultados do Projeto Videopalestras, para apresentação em diversos meios sociais e virtuais;
  8. Inscrição dos alunos que conseguiram adesão dos professores efetivos em seus projetos de pesquisa, no Programa de Iniciação Científica Júnior da Funec;
  9. Criação deum canal no Youtube, para os jovens refletirem e discutirem sobre as temáticas que poderão contribuir para sua autonomia, cidadania e protagonismo.

3. RESULTADOS

Podemos dizer que a primeira experiência foi muito bem sucedida, ainda mais, tendo em vista o contexto atual de tantas dificuldades ocasionadas pela pandemia e pela necessidade de adesão ao ensino remoto. Ao desenvolver a palestra inicial com a autora Lavínia Rocha, os alunos tiveram a oportunidade de observar, de forma prática e interativa, a estrutura e características do gênero dissertativo palestra oral, as estratégias discursivas empregadas pela autora para encantar e convencer seu público-alvo e, de aplicar no último bloco desse evento presencial, um roteiro de entrevistas previamente pesquisado e elaborado nas aulas de Língua Portuguesa.

Imagem 1: Palestra “Feminismo não é palavrão”, com Lavínia Rocha. Apresentação da autora aos alunos pela professora Rosemary Cândido Coelho. Evento realizado no Auditório da Funec Inconfidentes, no dia 11 de março, marcando uma etapa importante do Projeto Videopalestras, e das últimas semanas do ensino presencial no ano de 2020, nesse contexto escolar, em virtude da Pandemia. Fonte: <http://laviniarocha.com.br/feminismo-nao-e-palavrao/>. Acesso em: 02 abr. 2021.

As outras sequências de atividades do percurso didático desenvolvido – pesquisas, rodas de conversa, escolha de temáticas de interesse, elaboração de planos de textos, avaliação de textos pelos pares e roteirização – contemplam a aprendizagem desenvolvida por meio de dinâmicas de trocas entre os alunos, incentivo ao protagonismo, orientação quanto ao modo de realizar pesquisas na atualidade, valorização de interesses dos alunos e reflexão sobre os usos linguísticos discursivos.

Tabela 1 – PIBIC-Jr Edital Nº 001/2010, de 12 de dezembro de 2019. Lista de Projetos 2020, com resultados deferidos pós-recurso, trazendo a aprovação de dois projetos científicos iniciados no Projeto Videopalestras: A vez e a voz juvenil no Ensino Médio da Funec Inconfidentes, que possuem as seguintes temáticas: “O desafio de produzir articulações entre escola e serviços de saúde mental em tempos de pandemia”, e “Resgatando o Sonho do Intercâmbio sem agência na pandemia”. Fonte: <http://www.contagem.mg.gov.br/arquivos/concursos/pibicjrfunec0221resultadofinalprojetosdeferidoposr-20210422044126.pdf>. Acesso em 02 abr. 2021

4. CONCLUSÃO

Assim, a primeira experiência com o projeto Videopalestras atingiu o seu objetivo de proporcionar a compreensão desse gênero discursivo, promovendo a leitura do próprio gênero e de outros gêneros da tipologia dissertativo-argumentativa, e fazendo a mediação relativa à produção desse gênero discursivo, ou seja, dando “vez e voz” aos alunos.

O interesse pela atividade de pesquisa e pela iniciação científica da Funec aumentou, e esse número poderá se multiplicar em 2021, quando os alunos conhecerem os trabalhos das três estudantes que tiveram seus projetos aprovados no PIBIC-Jr de 2020 e outros resultados significativos da primeira edição do Projeto Videopalestras: A vez e a voz juvenil no Ensino Médio da Funec Inconfidentes.

Pela perspectiva dos letramentos, o projeto contribuiu para a imersão dos alunos em práticas de leitura e escrita, até então, pouco conhecidas por eles, fazendo com que imergissem em tais práticas e desenvolvessem sua competência linguístico-discursiva.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

BUNZEN, C. & MENDONÇA, M. Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola, 2006.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

KLEIMAN, A. Letramento e suas implicações para o ensino de língua materna. In: Signo, V.32, N.53, 2007.

MORAN, J. Mudando a educação com metodologias ativas. [Coleção Mídias Contemporâneas. Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II] Carlos Alberto de Souza e Ofelia Elisa Torres Morales (orgs.). PG: Foca Foto-PROEX/UEPG, 2015. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/mudando_moran.pdf>. Acesso em: 02/04/2021.

RODRIGUES, R.H. Os gêneros do discurso na perspectiva dialógica da linguagem: a abordagem do Círculo de Bakhtin. In: MEURER, J.L. et al. (Ed.). Gêneros: teorias, métodos, debates. São Paulo: Parábola, 2005. p. 152-183.

ROJO, R. & BARBOSA, J. P. Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos. São Paulo: Parábola, 2015.

STREET, B. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo: Parábola, 2013.