WE BIO: A CÉLULA VIRTUAL

WE BIO: A CÉLULA VIRTUAL

Amanda Rezende Ruggio1, Débora Nunes Silva1, Enzo Lopes de Oliveira1, Erick Lopes de Oliveira1, Júlia Fonseca Cunha1, Pedro Henrique Miranda de Faria1, Rayan Agostinho Martins Lana1, Victor Felipe da Cruz Oliveira1, Andreia Aparecida Ribeiro2, Paulo Henrique Rodrigues 3.

RESUMO

O constante uso das tecnologias digitais se intensificou com a revolução tecnológica, que trouxe artefatos inovadores para o cotidiano das populações ao redor de todo o mundo. Nota-se a oportunidade de utilizar a tecnologia em diferentes segmentos essenciais para a sociedade, sendo um deles, a educação. Devido às oportunidades que se tem ao utilizar tecnologias no âmbito educacional, a equipe desenvolve um aplicativo interativo e um site, voltados para o conteúdo de citologia, o qual é ministrado na disciplina de biologia durante o ensino médio. O aplicativo, que começou a ser produzido em 2019, possui modelagens tridimensionais da célula animal e vegetal e suas respectivas organelas citoplasmáticas, além de apresentar suas funções de forma sucinta, uma aba de microscopia celular e um quiz com questões de diferentes níveis acerca do conteúdo de citologia, que é destinado à fixação da matéria por meio da realização de exercícios. O site, assim como o aplicativo, é um método de estudo complementar no ensino de citologia, por apresentar um conteúdo textual mais extenso, e que também oferecerá gratuitamente o aplicativo, assim que o tal for disponibilizado para os usuários. Esmera-se que o projeto We Bio seja efetivamente utilizado em instituições de ensino e ambientes educacionais em geral, proporcionando um método alternativo de estudo na área de biologia.

 Palavras-chave: Aplicativo interativo; Citologia; Modelagens tridimensionais; Tecnologias no âmbito educacional.

ABSTRACT

The constant use of digital technologies has intensified with the technological revolution, which brought innovative artifacts to the daily lives of populations around the world. With ample knowledge available in digital media, the opportunity arises to use it in different essential segments for society, one of them, the education. Due to the opportunities that you have when using technologies in the educational scope, the team develops an interactive application and a website focus on cytology content, which is taught in the discipline of biology during the high school. The application, which started to be produced in 2019, features three-dimensional modeling of animal and plant cells and their respective cytoplasmic organelles, in addition to briefly presenting their functions, a cell microscopy tab and a quiz with questions of different levels on the content of cytology, which is intended to help with the material by performing exercises. The website, as well as the application, is a complementary study method in the teaching of cytology because it presents a more extensive textual content, and which will also offer the application free of charge as soon as it is made available to users. The We Bio project could be effectively used in educational institutions and educational environments in general, providing a studying alternative for field of biology.

 Keywords: Cytology; Interactive application; Technologies in the educational scope; Three-dimensional modeling.


1-Técnicos em informática /FUNEC – RIACHO, e-mail: amandarezenderuggio@gmail.com; debora.nuness@hotmail.com; enzo.loliveira@hotmail.com; erick.loliveira@hotmail.com;  juliafcunha@gmail.com;  pedrohenriquedefaria@gmail.com; rayanlana012@gmail.com; victorfelipe587@gmail.com;  2 – Professora de Biologia /FUNEC – RIACHO, Graduação Ciências Biológicas – UFMG -2006, Especialista em Informática na Educação, Faculdade Batista, 2020, Especialista em Metodologia do Ensino de Biologia, Faculdade Batista, 2020, e-mail: profaandreiabio@gmail.com.br; 3 – Professor de Informática / FUNEC-RIACHO, Graduado em Sistemas de Informação – PUCMG, Especialista em Psicopedagogia, e-mail: paulohenriquerodrigues@outlook.com

1 – INTRODUÇÃO

Observando o contexto atual, nota-se a presença constante da tecnologia no cotidiano das populações nos diversos âmbitos sociais, sendo um destes, a educação. A partir disso, percebe-se a possibilidade de integrar um artefato tecnológico ao ambiente escolar, possibilitando novas alternativas para a área educacional. Pensando nisso, o grupo responsável pelo projeto criou o site e o aplicativo “We Bio: a célula virtual”, referente ao conteúdo de citologia, o qual é ministrado na disciplina de Biologia.

De acordo com Castells (1999),  vive-se em uma sociedade da informação e a forma com que as pessoas se relacionam entre si, com o ambiente de trabalho e o processo educacional, também perpassam pelo uso e acesso da informação e da tecnologia, que comprova a presença constante da tecnologia no cotidiano das populações, afirmando a facilidade e proximidade que a população tem, atualmente, com as tecnologias digitais, e confirmando a tese de que o aplicativo interativo seria uma ferramenta do  meio de interesse de jovens, público alvo de tal projeto.

Souza (2014) pontua a necessidade existente do professor estar ciente a respeito da importância da utilização dos recursos tecnológicos, como uma alternativa eficaz para alcançar a atenção dos alunos, afirmando que estes contribuem para deixar as aulas mais interessantes e são fundamentais para evitar a abstração de muitos conceitos biológicos, como em recursos audiovisuais, apresentações em slides, filmes ou recortes dos mesmos, músicas, jogos online, softwares educacionais, trabalhos na web, pesquisas etc.

Para Calluf (2007), o computador é uma ferramenta que cativa os alunos, por ser um meio pelo qual eles se encontram habituados, podendo ser usado pelo professor, de forma criativa e atraente, como um complemento à aprendizagem que desperta a curiosidade e promove a vontade de aprender.

Quando se fala em educação, ainda hoje, a imagem que vem à mente é a de alunos organizados em sala de aula, de preferência em filas rigidamente organizadas, como acontecia em séculos anteriores. Muitas são as discussões que colocam esse modelo em prática, não como algo a ser mantido, mas como uma atitude passível de mudanças, como a utilização de novos recursos tecnológicos. Entretanto, “o simples acesso à tecnologia não é o aspecto mais importante, mas, sim, a criação de novos ambientes de aprendizagem e de novas dinâmicas sociais, a partir do uso dessas novas ferramentas. (MORAES, 1997, p. 53)”. De acordo com tal citação, compreende-se o uso de ferramentas digitais, assim como o aplicativo We Bio, na área da educação, como algo somatório e revolucionário, e não prejudicial, auxiliando, dessa forma, todo o ambiente educacional.

A Biologia participa dos componentes curriculares, e seu ensino é essencial na formação do indivíduo, uma vez que um de seus principais objetivos é fornecer aos estudantes conhecimentos que são indispensáveis ao exercício da cidadania e capacitá-lo a participar de discussões que exigem o conhecimento biológico e o pensamento crítico. (SILVA, 2016).

Apesar da Biologia se encontrar no cotidiano escolar, o ensino desse componente curricular está distanciado da realidade, e não tem permitido a população assimilar o vínculo estreito existente entre o que é estudado na sala de aula e a realidade corriqueira, fato que demonstra que o aprendizado tem ocorrido de maneira defasada (BRASIL, 2008).

Freitas (2013), também acentua o uso dos recursos audiovisuais e diz que a inserção destes no ensino de biologia auxilia o processo de ensino aprendizagem, por facilitar o acesso do conhecimento ao aluno, além disso, motiva a curiosidade, desperta o interesse de tal, e melhora o seu relacionamento com o professor, tendo em vista o aperfeiçoamento da transmissão do conteúdo.

A finalidade que se tem ao construir tal projeto é inserir uma ferramenta tecnológica gratuita, interativa, e visual, no meio estudantil, a fim de solucionar a falta de aproximação dos alunos referente ao conteúdo de citologia e, dessa forma, propiciar um ambiente escolar pedagogicamente mais rico e suficiente. Reconhece-se a benéfica utilização de tecnologias no momento de ensino e aprendizado, já que as tais promovem a aproximação estudantil acerca do conteúdo ministrado, estimulando a curiosidade e o interesse do estudante, além de ampliar as alternativas didáticas do docente. Ferramentas tecnológicas, essencialmente com recursos visuais, apresentam instrumentos tecnológicos habituais do cotidiano dos jovens que, por serem métodos atrativos, aproximam os estudantes do ambiente escolar.

Relaciona-se à escolha do tema de citologia, com a problemática envolvida na falta de visualização e subsequente assimilação do conteúdo textual ou oral, com a realidade. Por abordar as células e suas reações metabólicas, o conteúdo de citologia mostra-se específico, complexo e abstrato ao distanciar-se da compreensão do aluno. Desta forma, procura-se desenvolver um artifício visual complementar acerca do conteúdo de citologia destinado aos estudantes, a fim de trazer a visualização do respectivo conteúdo distanciado, proporcionar uma melhor compreensão do estudo das células, e interligar o jovem ao ambiente escolar, evitando a evasão escolar.

2 – METODOLOGIA

A partir da década de 1990, a revolução tecnológica trouxe diversas mudanças no modo de vida dos seres humanos, inclusive, na forma de aprender. (GERALDI; BIZELLI, 2017). Nota-se, portanto, a oportunidade de utilizar a tecnologia em diferentes segmentos essenciais para a sociedade, até mesmo na educação, que graças ao uso generalizado e amplificado de tecnologias, gera alcance do aplicativo à área educacional.   Segundo Rossato Junior (2008), a presença da tecnologia no cotidiano da sala de aula pode tornar extremamente prazeroso o processo de ensino e aprendizagem para professores e alunos, uma vez que pode despertar o interesse dos educandos, pois, trata-se de sair do lugar comum. O uso da tecnologia também permite a produção do conhecimento em qualquer lugar do mundo, de forma mais econômica, possibilitando o desenvolvimento de várias habilidades, além daquelas referentes somente ao conteúdo disciplinar, agregando, positivamente, desta forma, à experiência do docente e essencialmente do aluno.

Por meio de um estudo acerca da opinião dos profissionais da área educacional, identificou-se os conteúdos que os alunos apresentam maior dificuldade no aprendizado. Citou-se assuntos relacionados à Genética, e também, à Citologia, como funções das organelas, a mitose e meiose. A dificuldade de assimilação do conteúdo de citologia está no fato de não se observar o que está sendo explicado, que comprova o problema da falta de um método de visualização, que busca ser solucionado por meio da criação de aplicativos interativos digitais que forneçam um método visual de estudo das células. (SILVA, 2016).

Dessa forma, no ano de 2019, iniciou-se a confecção do aplicativo “We Bio: a célula virtual”, tendo sido utilizados para a construção geral do aplicativo, os seguintes recursos: a plataforma de desenvolvimento Unity, a linguagem de programação C#, e o Blender, usado para a criação de diversos tipos de design, incluindo a modelagem 3D, que foi utilizada para a construção das células e de suas respectivas organelas citoplasmáticas, presentes no referido aplicativo, conforme figura 1.

Figura 1 – Menu inicial presente no aplicativo – Autoria própria

Utilizou-se para a criação do design de interfaces, presente no aplicativo e no site, a aplicação Quant-ux e o Photoshop. Já, para a criação do site, a qual se iniciou em 2020, utilizou-se as linguagens HTML, CSS, PHP e JavaScript. Todo o conteúdo textual presente no aplicativo e no site, foi construído de forma autoral, baseado em pesquisas realizadas em artigos científicos, enciclopédias, livros didáticos e vídeos educativos.

 

3 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

O projeto We Bio se apresenta, atualmente, como um aplicativo composto pela modelagem da célula animal e vegetal em 3D, pelas organelas citoplasmáticas, pela aba de microscopia e, por um quis, para fixação de conteúdo. Também contém um site que apresenta diversas páginas sobre o projeto e seus respectivos desenvolvedores, o conteúdo de citologia e de reações metabólicas. Em 2020, realizou-se uma pesquisa com alunos e professores a respeito da eficácia do projeto We Bio no âmbito educacional e, obteve-se um resultado satisfatório ao notar que a maioria dos entrevistados acredita que o We Bio é uma ferramenta válida e essencial na educação, conforme figuras 2 e 3, abaixo:

Figura 2 – Gráfico referente à pesquisa efetuada – Autoria própria

Figura 3 – Gráfico referente à pesquisa efetuada – Autoria própria

Identifica-se, por meio do resultado de tal pesquisa, a oportunidade válida de implementar artefatos tecnológicos na educação, uma vez que o público entrevistado (estudantes e docentes), que respondeu unanimemente acerca da eficácia do projeto em âmbitos educacionais, é o mesmo público-alvo a que se destina esta aplicação, levando-se à conclusão de que o uso de tais artifícios se demonstra válido e aditivo.

4 – CONCLUSÃO

Espera-se que tal proposta seja somativa para o momento de ensino e aprendizagem, em especial, para os jovens que, em geral, sofrem com a evasão escolar por vastas razões, sendo uma delas, o desinteresse e a dificuldade de aprendizagem dos conteúdos propostos, cuja ministração se torna desinteressante e distante para eles. Conclui-se que a equipe desenvolvedora do projeto esmera que o We Bio seja efetivamente utilizado em escolas, de forma a auxiliar os estudantes e docentes, ao proporcionar uma nova alternativa didática. A utilização de tecnologias no meio estudantil é de extrema valia, pois revoluciona o método tradicional de estudos, intuito principal do projeto.

5 – REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação – MEC. Orientações Curriculares para o Ensino Médio:Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias.  Brasília, DF: MEC/ Secretaria de Educação Básica, 2006. 135 p. Disponível em: < http://www.iq.ufrgs.br/aeq/producao/PCNEM.pdf>. Acesso em: 26 abr. 2020.

CALLUF, Cassiano César.  Didática e Avalição em Biologia. Curitiba: Intersaberes, 2007.

CASTELLS, Manuel. Sociedade em Rede. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

FREITAS, Sissi Maria de.; CASTRO, Mariza de.; MAIA, Allyssandra. Utilização de aplicativos de dispositivos móveis na sala de aula para o ensino de biologia. [S. l.], 2019. Disponível em: <https://www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/TRABALHO_EV1 27_MD4_SA19_ID 9646_15082019221920.pdf>. Acesso em: 26 abr. 2020.

GERALDI, Luciana Maura Aquaroni; BIZELLI, José Luís. Tecnologias da informação e comunicação na educação: conceitos e definições. In: Revista online de política e gestão educacional. n.18, 2015. Disponível em: <https:// periodicos.fclar.unesp.br/rpge/article/view/9379>. Acesso em: 27 abr. 2020.

MORAES, M.C. Paradigma educacional emergente. São Paulo: Papirus, 1997.

ROSSETO JÚNIOR, Adriano José. [et al]. Jogos educativos:estrutura e organização da prática. 5. ed. – São Paulo: Phorte, 2009. Disponível em: < https://issuu.com/phorteeditora/docs/jogos_educativos>. Acesso em: 16 abr. 2020.

SILVA, Adrielle dos Santos. O Processo de Ensino-Aprendizagem de Biologia e a Alfabetização Biológica. Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas). João Pessoa:  Universidade Federal da Paraíba/ Centro de Ciências Exatas e da Natureza, 2016. 71 p. Disponível em: < http://www.ccen.ufpb.br/cccb/contents/monografias/2016/andriele-dos-santos-silva.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2020.