ASTROBIOLOGIA: É POSSÍVEL HAVER VIDA FORA DA TERRA?

ASTROBIOLOGIA: É POSSÍVEL HAVER VIDA FORA DA TERRA?

Deborah A. Christova1; Gabriela Luiza Santos de Aquino2; Marco Antônio A. de Carvalho3; Flávia Rodrigues4; Sidney Maia5

RESUMO

O presente trabalho mostra o processo de busca pelo conhecimento sobre a Astrobiologia como ciência emergente, sua importância em entender como é o seu estudo e a construção das suas teorias, para compreender como surgiu a vida na Terra, e se ela existe no universo. Para melhor compreensão dos conceitos, foi feita uma parceria com o grupo de Astronomia GEDAI- CEFET/ MG. Como forma de divulgação do projeto executado, foi feita uma palestra online sobre o tema, uma vez que a pandemia de Covid-19 impediu que a atividade fosse realizada de forma presencial.

Palavras Chaves: Astrobiologia; Vida; Universo

ABSTRACT

The present work shows the process of searching for knowledge about Astrobiology as an emerging science, its importance in understanding how it is studied and the construction of its theories, to understand how life on Earth came about, and whether it exists in the universe. For a better understanding of the concepts, a partnership was made with the Astronomy group GEDAI-CEFET / MG. As a means of publicizing the project carried out, an online lecture was given on the topic, since the Covid-19 pandemic prevented the activity from being carried out in person.

Key words: Astrobiology; Life; Universe.

1- Aluna da Fundação do ensino de Contagem – FUNEC, bolsista do CNPQ; 2 – Aluna da FUNEC, bolsista do CNPQ; 3 – Mestre em Física e Professor do Ensino Médio da FUNEC; 4- Mestranda do Programa PROFBIO, Professora de Biologia da FUNEC; 5- Doutor e Professor de Física do CEFET/MG

1. INTRODUÇÃO

Recentemente a imprensa global noticiou a descoberta de fosfina em Vênus (GRAVES et. Al., 2020), onde sugere que possa haver vida no planeta, pois a fosfina é uma substância orgânica produzida por seres vivos.

A Astrobiologia é uma ciência que reúne várias disciplinas, entre elas, a Física, a Biologia e a Matemática, com o objetivo de responder perguntas como “é possível mesmo haver vida fora da Terra? Estamos sozinhos no universo? Os extraterrestres podem realmente existir? Quais seriam as condições para que houvesse vida fora da Terra? Temos o direito de colonizar outros planetas? Existem planetas capazes de abrigar a vida da Terra?” Outro objeto de estudo seria explicar o surgimento da vida, o seu desenvolvimento e as interações dentro do nosso planeta e fora dele.  Corroboramos com as ideias de Sagan (1980), onde ele reflete que “não haver vida em outros planetas é um desperdício de espaço”. Neste contexto, a Astrobiologia se mostra como uma importante ciência, para entendermos sobre o que é vida e quais os locais onde é possível encontrá-la, além de valorizarmos a vida em nosso planeta, caso esta seja única.

Um ponto importante da Astrobiologia é tentar definir o que é a vida para, então, buscar formas de vida em outros planetas. Para a Agência Espacial Americana, NASA (1994), a vida “é um sistema capaz de reproduzir e sofrer evolução darwiniana”. Segundo o Prof. Dr. Sérgio Pilling e seus alunos da Universidade do Vale do Paraíba, a vida tem que ser definida de acordo com a diferença entre a matéria viva e a matéria bruta, pois, trata-se de um processo, e não simplesmente possuir substâncias orgânicas. Podemos perceber que definir a vida não é uma tarefa fácil, ainda existem controvérsias, sendo assim, é muito importante buscar conceitos científicos, baseados em evidências e divulgá-los, para que se possa compreender como é a pesquisa por vida fora da Terra e diminuir a desinformação prestada pelas chamadas notícias falsas, ou por divulgação de pseudocientistas. (PILLING, S., 2017).

Após a leitura do artigo jornalístico da BBC (2019), despertou-nos o interesse pelo assunto e o desejo de divulgá-lo. Segundo Brant (2020), os investimentos em pesquisas sobre o tema aumentaram nos últimos tempos, inclusive, por setores públicos e privados, que começaram a investir em tecnologia e missões espaciais. Mas, nem sempre o objetivo é conhecer sobre a vida em outros planetas. Em alguns casos as pesquisas podem gerar problemas, como ocorreu em uma experiência israelense em 2019, na qual um acidente espacial contaminou a Lua com seres vivos – os tardígrados – que ainda podem estar vivos, uma vez que são capazes de sobreviver em condições extremas.

O presente trabalho expõe a experiência de estudar sobre a Astrobiologia, sua importância e como divulgá-la para estudantes do Ensino Médio de uma escola pública da cidade de Contagem/ MG.

2. OBJETIVOS

• Conhecer a Astrobiologia e compreender os métodos utilizados na busca de vida fora da Terra;

• Promover a sua divulgação junto à comunidade escolar, por meio de atividades culturais e palestras;

• Buscar a divulgação do projeto em seminários e eventos científicos.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho faz parte do Programa de Iniciação Científica da Fundação do Ensino de Contagem – FUNEC, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ.  O trabalho foi pensado, inicialmente, para ser realizado durante o ano letivo de 2020, mas, com o distanciamento social as aulas presenciais foram suspensas, o ensino remoto foi autorizado pelo município de Contagem/ MG, por meio do DECRETO Nº 1.524, de 19 de março de 2020, e do Ofício Circular nº 002/GAB/SEDUC, de 20 de março de 2020.

Para que trabalho fosse desenvolvido, optou-se pelo uso de plataforma digitais como o “Google Meet”, e WhatsApp para troca de informações entre as autoras durante os meses de março a outubro de 2020, semanalmente ou quinzenalmente, conforme a necessidade e os avanços adquiridos. As atividades realizadas podem ser observadas de acordo com o quadro a seguir:

Tabela 1- Atividades realizadas durante o projeto.

PERÍODO ATIVIDADE
Março a maio Revisão bibliográfica, antecedentes científicos.
Junho a agosto Parceria e encontros com o grupo GEDAI/ CEFET- MG
Setembro Elaboração da forma de divulgação.
Outubro Organização e apresentação online do projeto.

O estudo bibliográfico abrange a busca por livros, páginas do Youtube, artigos usando o aplicativo “Google Acadêmico” e a interação com o Grupo de Estudos de Astronomia Intercampi” – GEDAI, pertencente ao CEFET/ MG, que realiza trabalhos de divulgação e extensão acadêmica para a comunidade escolar, formação de docentes e pesquisa na área da Astronomia e na divulgação científica.

Mesmo com o cronograma definido, imprevistos aconteceram: problemas de conexão com a internet, excesso de tarefas escolares, tanto das discentes quanto da docente orientadora, sendo necessário, muitas vezes, improvisar e adiar a atividade definida para o momento.

Como as aulas foram suspensas e no projeto inicial havia sido previsto a divulgação do trabalho para a comunidade escolar, criou-se uma página no aplicativo “Instagram”, com o nome de “@astro_cds”, que realizou o mesmo papel, pensado inicialmente para divulgar o trabalho e a Astrobiologia. Porém, a alternativa da página no “Instagram” acabou por se tornar mais ampla: divulgar, também, outros trabalhos científicos ligados à área da Astronomia, bem como informações sobre mulheres que trabalham com Astrobiologia e Astronomia.

O encontro com o grupo GEDAI aconteceu, como previsto, em 3 encontros, de forma online e com o uso da plataforma “Google Meet”. Nele foram tratados assuntos como, as dúvidas em relação aos conteúdos que compõem a Astrobiologia, a Química e a Física. Outras questões, como o tipo de apresentação a ser adotado, os temas a serem abordados e a melhor plataforma de apresentação do estudo realizado, também foram abordadas nestes encontros.

A apresentação aconteceu no final do mês de outubro, pela plataforma “Google Meet”. Os participantes fizeram suas inscrições por documento online, respondendo sobre seu nome, formação, interesse e conhecimento do assunto. O objetivo do formulário foi conhecer e compreender a população participante do trabalho. O encontro teve duração de 1 hora e 30 minutos e foi dividido em partes: apresentação da Astrobiologia e suas áreas de estudo, o estabelecimento das diferenças entre esta ciência e a ufologia, bem como as definições do que é a vida; apresentação de dados sobre a recente descoberta de Fosfina no planeta Vênus (GRAVES et. al, 2020), pelo professor Sidney Maia e, por último, os participantes puderam fazer suas perguntas e considerações.

4. RESULTADOS

A Astrobiologia não é uma ciência conhecida do público em geral (GALANTE et. Al, 2016), mas vem se destacando no cenário científico por apresentar grandes possibilidades de novos conhecimentos e avanços científicos, esse também é o pensamento de Braga (2020). Por isso, a proposta desenvolvida teve um papel importante na divulgação dessa área de conhecimento e despertou muita curiosidade nos participantes da apresentação, de acordo com o número de inscrições, 62 pessoas, e pelo número participantes, 57 pessoas. Foi importante conhecer e revisar o que a academia descreve como “o que é a vida e como buscá-la em outras partes do universo”, possibilitando diferenciar o que é Astrobiologia e o que é a Ufologia.

Um ponto que deve ser destacado é a dificuldade encontrada em se compreender muitos conceitos avançados das áreas da Química e da Física. Podemos citar como exemplos, os conceitos de que envolvem astroquímica e a interpretação dos textos científicos, que interferiram no processo de aprendizado, de forma efetiva. Para minimizar as dificuldades encontradas, foi fundamental a parceria com o grupo GEDAI, pela sua experiência e conhecimento técnico, possibilitando o avanço no estudo. Por meio da parceria, houve também a indicação de bibliografias voltadas para o conhecimento mais básico, entre eles, podemos citar Galante et. Al (2016).

Com relação ao trabalho realizado de forma remota, avaliamos que não houve prejuízo no seu desenvolvimento, mas que se fosse executado de forma presencial também poderia ter os resultados satisfatórios. Uma vez que, em geral, o assunto, de acordo com Dias (2020) desperta muito interesse. Segundo Knechtel e Brancalhão (2008), o ensino através da difusão de forma lúdica, sem perder os conceitos-chaves e que envolvam a ciência e sua alfabetização se tornam uma ferramenta poderosa no combate à desinformação, aos “pseudocientistas da internet”, das notícias falsas e sensacionalistas e, principalmente, no incentivo para que novos pesquisadores iniciam suas carreiras já no ensino médio, melhorando a educação básica e a formação dos estudantes.

Os programas de iniciação científica promovidos por instituições de ensino superior, em convênio com a educação básica, como a FUNEC – possibilitam uma integração maior entre o conhecimento adquirido no meio acadêmico e a aprendizagem mais contextualizada à realidade do ensino médio. Demonstrou ser importante, também, para que os estudantes se sentissem mais integrados ao desenvolvimento do conhecimento científico, compreendendo como se dá a construção de teorias e como elas são divulgadas.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A astrobiologia é uma ciência que desperta a curiosidade e o interesse da comunidade escolar, através dela é possível compreender que as ciências químicas, físicas e biológicas necessitam de diálogo constante para buscar compreender como seria possível haver vida fora da Terra. E, também, fazem-nos refletir que a humanidade é apenas “um ponto azul” no universo, como descreve Sagan (2019), mas ao mesmo tempo complexos, quando definimos o que seja “ser vivo”.

O trabalho se mostrou uma boa ferramenta de promoção, tanto da Astrobiologia, quanto do processo de divulgação científica, quanto da popularização da ciência para o meio acadêmico. Consideramos importante que mais trabalhos, como esse, possam incentivar a participação de outros estudantes da educação básica, seja por meio de programas de iniciação científica, ou por iniciativa de educadores comprometidos com o desenvolvimento e a popularização das ciências.

Não podemos nos esquecer que, mesmo com a pandemia que está comprometendo o ensino presencial, é possível produzir conhecimento científico e divulgá-lo, usando a criatividade, a internet, e o uso de aplicativos de comunicação.

Gostaríamos muito de agradecer ao CNPQ, a UFMG e a FUNEC, pelo incentivo no processo de desenvolvimento da educação básica brasileira.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANT, L. F. O avanço tecnológico e as suas prioridades. Publicado em 15 de junho de 2020. Disponível em: <https://blog.newtonpaiva.br/colunas/o-avanco-tecnologico-e-suas-prioridades/>. Acesso em: 13 out. 2020.

BRAGA, I. Astrobiologia e a missão Curiosity. <http://www.microbiologia.ufrj.br/portal/index.php/pt/graduacao/informe-da-graduacao/394-astrobiologia-e-a-missao-curiosity >. Acesso em: 10 out. 2020.

CONTAGEM. PREFEITURA MUNICIPAL DE CONTAGEM. Decreto nº 1.524, de 19 de março de 2020. Determina a suspensão temporária dos Alvarás de Localização e Funcionamento e autorizações emitidos para realização de atividades com potencial de aglomeração de pessoas para enfrentamento da Situação de Emergência Pública causada pelo agente Coronavírus – COVID-19.  Contagem: Palácio do Registro, 2020. Publicado no Diário Oficial Nº 4931. Revogação total – Diário Oficial Nº 4785 e substituído por vários outros decretos, posteriormente. Disponível em: < http://www.contagem.mg.gov.br/?legislacao=485516>. Acesso em: 15 out. 2020.

DIAS, L. N., Astrobiologia, o que é isso? Jornal Biosferas. Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/biosferas/Art0089.html >. Acesso em: 15 out. 2020.

GALANTE, D.; SILVA, E. P. da.; RODRIGUES, F. et al (Org.) Astrobiologia: uma ciência emergente. [S.l: s.n.], 2016. Disponível em: < https://www.iag.usp.br/astronomia/sites/default/files/astrobiologia.pdf>. Acesso em: 15 out. 2020.

GREAVES, JS; RICHARDS, MAS; BAINS, W. et al. Gás fosfina nas nuvens de Vênus. Nat Astron (2020). Disponível em: <https://doi.org/10.1038/s41550-020-1174-4>. Acesso em: 16 out. 2020.

KNECHTEL, C. M.; BRANCALHÃO, R. M. C. Estratégias lúdicas no ensino de ciências. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Superintendência da Educação. Diretoria de Políticas e Programas Educacionais Programa de Desenvolvimento Educacional. In: Rev. O professor PDE e os desafios da escola pública paranaense. Versão Eletrônica.Curitiba: SEED, v. 1, p. 1-32, 2008. Disponível em: < http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2354-8.pdf>. Acesso em: 15 out. 2020.

O ACIDENTE ESPACIAL QUE ESPALHOU MILHARES DE ANIMAIS MICROSCÓPICOS DA TERRA NA LUA. BBC News Brasil.  Publicado em 7 agosto 2019. Disponível em:  <https://www.bbc.com/portuguese/geral-49272456>. Acesso em: 15 mar. 2020.

PILLING, S. LABORATÓRIO DE ASTROQUÍMICA E ASTROBIOLOGIA DA UNIVAP – LASA. Universidade do Vale do Paraíba. Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento, Laboratório de Astroquímica e Astrobiologia. Atualizado em 13/04/2017. Disponível em:  <https://www1.univap.br/spilling/>. Acesso em: 15 out. 2020.

SAGAN, Carl.  Trad. Ângela do Nascimento Machado.  In: Rev. Cosmos.  Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.  364p.

______. Pálido ponto azul:uma visão do futuro da humanidade no espaço. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.