RASTREAMENTO DE FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES E CONTRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FARMACÊUTICO

RASTREAMENTO DE FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES E CONTRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL FARMACÊUTICO

Anna Clara Morais e Ferreira1; Ana Flávia Vieira D’Ascenção²; Gabriela Resende de Salles³; Luciana Godoy Pellucci de Souza4; Aline Alves Fortunato do Carmo5

RESUMO

O rastreamento em saúde permite a detecção de condições de saúde em pessoas doentes, que ainda não manifestaram sinais e sintomas, e/ou não foram diagnosticadas, ou que apresentam susceptibilidade de adoecerem. É realizado por meio de procedimentos, exames ou entrevistas, validados com posterior orientação e, se necessário, encaminhamento para outros profissionais para determinação do diagnóstico e prescrição de tratamento. As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte mundial, no Brasil representam 30% do total de óbitos. Estão relacionadas a fatores de risco como sexo, idade avançada, tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, hipercolesterolemia, obesidade, dentre outros. O rastreamento desses fatores de risco pode oferecer importantes informações sobre as possibilidades de o paciente desenvolver doenças cardiovasculares. Com o objetivo de identificar a possibilidade de ocorrência de desfechos negativos causados por doenças cardiovasculares, e promover a conscientização de uma comunidade de um município de Minas Gerais, procedeu-se a coleta de dados e a realização de exames em indivíduos que manifestaram interesse nessa avaliação. A partir dos resultados foi possível constatar que a maior parte dos integrantes da população estudada não apresentava risco cardiovascular elevado, no entanto, medidas educativas devem ser direcionadas, principalmente, ao público feminino, sobre o índice de massa corporal e circunferência da cintura, a fim de se evitar o desenvolvimento de doenças futuras. A análise dos dados foi seguida de um trabalho de conscientização individual dos participantes, sobre os riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e a importância de se minimizar os fatores predisponentes modificáveis. A experiência também foi essencial para o desenvolvimento de habilidades clínicas importantes, como mente investigativa, habilidade de avaliação da situação e comunicação, que são essenciais para a formação do profissional farmacêutico.

Palavras-chave: Rastreamento em Saúde; Doenças Cardiovasculares; Farmácia Clínica.

ABSTRACT

Health screening allows the detection of health conditions in sick people who have not yet manifested signs and symptoms and / or have not been diagnosed, or who are susceptible to becoming ill. It is performed through validated procedures, exams or interviews, with subsequent guidance and, if necessary, referral to other professionals to determine the diagnosis and prescribe treatment. Cardiovascular diseases are the main causes of death worldwide, in Brazil, they represent 30% of the total deaths. They are related to risk factors such as sex, old age, smoking, high blood pressure, diabetes, hypercholesterolemia, obesity, among others. Tracking these risk factors can provide important information about the patient’s chances of developing cardiovascular disease. In order to identify the possibility of the occurrence of negative outcomes caused by cardiovascular diseases and to promote the awareness of a community in a municipality in Minas Gerais, data collection and tests were carried out on individuals who expressed interest in this evaluation. From the results, it was possible to verify that most of the members of the studied population did not present high cardiovascular risk; however, educational measures should be directed, mainly, to the female public about the body mass index and waist circumference, in order to prevent the development of future diseases. The analysis of the data was followed by a work of individual awareness of the participants about the risks of developing cardiovascular diseases and the importance of minimizing the modifiable predisposing factors. The experience was also essential for the development of important clinical skills such as investigative mind, situation assessment and communication skills, which are essential for the training of the pharmaceutical professional.

Keywords: Health screening, Cardiovascular Diseases, Clinical Pharmacy.

1 – Técnica em Farmácia (FUNEC) e graduanda em Farmácia (UFMG). 2. Técnica em Farmácia (FUNEC) e graduanda em Farmácia (UFMG). 3. Técnica em Farmácia (FUNEC). 4. Farmacêutica (UFMG) e Especialista em Formação de Educadores em saúde (UFMG). 5. Farmacêutica Industrial (UFMG), Especialista em Gestão da Assistência Farmacêutica (UFSC)/ Especialista em Farmacologia clínica (Pitágoras) / Especialista em Formação de Educadores em Saúde (UFMG) e Mestre em Biologia Celular (UFMG).

1 INTRODUÇÃO

O rastreamento em saúde é um serviço capaz de contribuir para a assistência às necessidades de saúde de uma população, e se mostra importante para a prevenção, detecção e tratamento precoces de doenças em indivíduos assintomáticos ou susceptíveis ao seu desenvolvimento, contribuindo para a redução do subdiagnóstico e da morbimortalidade associada. Pode ser ofertado por vários profissionais de saúde, dentre eles, o farmacêutico, que é considerado um dos mais acessíveis à população em geral. É realizado com o intuito de avaliar os resultados obtidos e traçar a melhor estratégia clínica para o paciente, seja pela oferta / conscientização de medidas preventivas direcionadas ao paciente ou mesmo seu encaminhamento para o profissional médico para esclarecimento do diagnóstico e prescrição do tratamento adequado (CFF 2013, 2016).

As Doenças Cardiovasculares (DCV) são as principais causas de morte no mundo, correspondendo a 37% dos óbitos de indivíduos em idade produtiva (WHO, 2014). O Brasil atualmente apresenta uma pandemia de morbimortalidade associada às essas doenças e agravos. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), no ano de 2010 ocorreram cerca de 1000 mortes por dia, por essas doenças, evidenciando uma situação preocupante e distante de ser controlada (BRASIL, 2011). Elas podem ser decorrentes de hábitos e estilos de vida inadequados como o tabagismo, etilismo, estresse físico e mental, obesidade e sedentarismo. (CAVAGIONI, 2012; INSA, 2016).

Ao analisar um indivíduo percebe-se que, quanto maior o número dos fatores de risco apresentados, maior também será a probabilidade dele apresentar um evento cardiovascular. A análise de dados como idade, valores de glicemia aleatória (GA), colesterol total (CT), pressão arterial sistêmica (PAS) tratada ou não tratada, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC), uso de tabaco e bebida alcoólica e prática de atividade física são importantes preditores na análise do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. (MAFRA, 2008; SBC, 2014).

Esses métodos possuem baixo custo de execução, boa acurácia e fácil aplicação, pois utilizam variáveis simples, clínicas e laboratoriais empregadas rotineiramente na prática clínica, aumentando a aceitação do paciente. Dessa forma, é de fácil aplicação às populações de baixo nível socioeconômico que, de acordo com inúmeras evidências na literatura mundial, bem como no Brasil, são as mais acometidas com hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e a mortalidade decorrente dessas doenças. Analisar os resultados desses testes podem auxiliar os profissionais de saúde a planejarem e ajustarem as metas clínicas e o projeto farmacoterapêutico dos pacientes que acompanham, assim como serem utilizados para conscientizar a população quanto à adoção de hábitos saudáveis de vida (CFF, 2016; MARTIN, 2014).

Este trabalho teve como objetivo rastrear a possibilidade de ocorrência de desfechos negativos causados por doenças cardiovasculares, utilizando métodos de fácil aplicação e, promover a conscientização de uma determinada comunidade, em um município de Minas Gerais.

2 METODOLOGIA

A captação de voluntários ocorreu a partir da montagem de um stand em um estabelecimento localizado na região central de um município mineiro e da divulgação, por meio de cartazes e do serviço de rastreamento oferecido. Participaram do estudo 30 indivíduos, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 82 anos, que manifestaram espontaneamente o interesse de se submeter ao rastreamento, culminando em aleatoriedade amostral.

Todos receberam orientações prévias quanto aos objetivos do estudo, metodologias a serem utilizadas e possíveis riscos envolvidos na execução dos exames. Eles também foram informados da voluntariedade da participação, que não acarretaria benefício pessoal / financeiro, que as identidades seriam mantidas em sigilo e que a manifestação de desistência / ausência de desejo de participar poderia ocorrer a qualquer momento do estudo, sem prejuízos de qualquer espécie, atendendo à Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. Na sequência, os participantes foram convidados a ler e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, necessário à realização do estudo.

Após a realização de uma entrevista, procedeu-se a aferição da pressão arterial sistêmica, a medida dos dados antropométricos (peso, altura, circunferência da cintura), punção sanguínea capilar e a realização dos exames de glicemia aleatória (sem obrigatoriedade de jejum) e colesterol total (Accu-Chek Active e Accutrend Plus, respectivamente, ambos da fabricante Roche®). Os dados foram coletados durante o mês de outubro de 2018.

Os participantes receberam os resultados dos exames realizados e as avaliações de seus respectivos riscos cardiovasculares, em formulários impressos, juntamente com as orientações verbais e materiais didáticos impressos, contendo informações sobre as doenças cardiovasculares e os fatores de risco capazes de serem modificáveis para sua prevenção.

Ao final das análises os dados sociodemográficos e os resultados de exames / aferições foram inseridos em planilhas / gráficos / tabelas para visualização e execução de análises estatísticas (Excel®) e qualitativas.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Gênero

Do total de participantes, 43% eram do gênero masculino e 57% do gênero feminino. Estes percentuais estão próximos dos encontrados no estado de Minas Gerais, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2018, demonstrando que a população era composta por 46% de homens e 54% de mulheres (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Distribuição da população estudada, por gênero.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Gráfico de autoria própria

Tais achados demonstram que a aleatoriedade de participação dos indivíduos manteve considerável correspondência com a população mineira.

3.2 Distribuição etária

Entre os voluntários, 77% tinham idade entre 40 e 60 anos, com média de idade de 46,1 anos. (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Distribuição etária dos participantes.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria.

3.3 Circunferência da Cintura (CC)

De acordo com a World Health Organization -WHO (2008), a circunferência da cintura (CC) pode ser utilizada como um parâmetro para a predição do risco de complicações metabólicas. Homens com medidas acima de 102 cm e mulheres acima de 88 cm de cintura são considerados como indivíduos de alto-risco para a manifestação de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, dentre outras.

Na população estudada foi identificada uma proporção maior de indivíduos com alto risco entre os participantes do gênero feminino (59%), quando comparados aos do gênero masculino (23%) (Gráfico 3), sugerindo que as mulheres estão mais propensas a desfechos metabólicos negativos que os homens.

No entanto, deve-se também levar em consideração que o acúmulo de gordura abdominal em mulheres é predominantemente subcutâneo (menor risco) e nos homens é, principalmente, visceral (maior risco). Existe divergência na literatura quanto à predominância de risco elevado por gênero, evidenciando a necessidade de que outros estudos devam ser conduzidos com o objetivo de elucidar e embasar melhor esses dados (CABRAL et al, 2015; DIAS et al, 2016; HAAK et al, 2013).

Gráfico 3 – Circunferência da cintura e classificação do risco metabólico por sexo.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

3.4 Índice de Massa Corporal (IMC)

Levando-se em consideração o peso e a altura dos indivíduos, o Índice de Massa Corporal (IMC) apresenta seis classificações: abaixo do peso (valores abaixo de 18,5), peso ideal (18,6 – 24,9), sobrepeso (25 – 29,9), obesidade grau I (30 – 34,9), obesidade grau II (35 – 39,9) e obesidade grau III (valores acima de 40).

Na população estudada, houve predomínio de pessoas com peso normal (40%), seguida de sobrepeso (37%). Também houve porcentagem significativa de indivíduos com obesidade grau I (20%) (Gráfico 4).

Distinguindo-se por gênero, não houve predomínio de um ou outro, dentro da população estudada, na faixa de IMC normal. No entanto, na faixa de baixo peso, houve predomínio do gênero masculino, nas faixas de sobrepeso e obesidade grau I, houve uma maior proporção de mulheres e, na faixa de obesidade grau II, houve predomínio do sexo feminino (Gráfico 5).

Gráfico 4 – Índice de Massa Corporal (IMC).

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

Gráfico 5 – Índice de Massa Corporal por gênero.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

3.5 Pressão arterial sistêmica (HAS)

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC (2016), a Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS é uma condição clínica multifatorial, caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg. Dentre os voluntários, 10% apresentam pressão diastólica acima de 90mmHg (7% homens e 3% mulheres), no entanto, nenhum deles manifestou pressão sistólica acima de 140 mmHg.

Tais achados, para serem considerados de relevância clínica, devem ser confirmados por outras medições e associados a outros fatores. Esses indivíduos não tinham diagnóstico prévio de HAS, tão pouco faziam uso de medicamentos anti-hipertensivos. (Gráfico 6). No grupo haviam participantes sabidamente hipertensos (10%) e em uso de medicamentos (Losartana e / ou Hidroclorotiazida), assim as aferições pressóricas medidas estavam todas dentro dos limites recomendados (100 X 61mmHg; 114 X 80 mmHg; 120 X 60mmHg) e considerados controlados pela SBC (< 130 X 80 mmHg).

Gráfico 6 – Níveis de Pressão Arterial Sistêmica.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

3.6 Glicemia aleatória (GA)

A dosagem da Glicemia Aleatória, também denominada de casual (GA), é a dosagem de glicose com ou sem jejum prévio. Valores iguais ou superiores a 200mg/dL, associados a sintomas como sede, poliúria, alteração de peso, visão embaçada, dentre outros, são determinantes e, por si só, instrumentalizam o médico a concluir o diagnóstico do Diabetes.

Na comunidade avaliada, os indivíduos apresentaram glicemia variando de 79 a 130 mg/dL, não sendo constatado nenhum caso de hiperglicemia aleatória (Gráfico 7). Dentre entre voluntários, três entrevistados (10%) declararam possuir diagnóstico prévio de diabetes, mas, no dia do estudo / dosagem apresentaram índices glicêmicos aceitáveis (107, 121 e 124 mg/dL), (SBC, 2016) todos pelo uso do medicamento Metformina.

Gráfico 7 – Glicemia aleatória.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

3.7 Colesterol total (CT)

Os valores de colesterol total (CT) são classificados pela SBC em desejável (< 200 mg/dL), limítrofe (200 – 239 mg/dL) e alto (>240 mg/dL). Os valores obtidos na dosagem dos participantes de 150mg/dL (limite inferior de detecção do aparelho) a 240mg/dL. Do total, 83% apresentaram um valor desejável, 14% apresentaram valor limítrofe e 3% valor considerado alto (Gráfico 8).

O participante com colesterol total considerado alto, já possuía diagnóstico prévio de hipercolesterolemia, no entanto, não fazia uso de medicamentos, contrariando a recomendação médica. Os demais participantes com dislipidemia previamente diagnosticada (20%) apresentaram níveis considerados desejáveis de CT, todavia, somente 33% deles relataram uso de medicamento para controle da doença.

O único medicamento relatado na entrevista foi a sinvastatina e, todos que faziam seu uso, ingeriam-na à noite, horário correto, uma vez que a produção máxima de colesterol acontece à noite e este medicamento possui tempo de meia vida curto (Gráfico 8).

Gráfico 8 – Colesterol Total.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

3.8 Histórico de doença cardiovascular

Vários fatores de risco genético predispõem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (INSA, 2016). Dentre a população estudada, cerca de 3% relataram possuírem doenças cardiovasculares.

Em relação à presença de portadores de doenças cardiovasculares na família, 83% da população estudada declararam possuírem (Gráfico 9). Esse dado prediz que o histórico familiar desses indivíduos os predispõe ao desenvolvimento de DCV. Uma vez que esse risco não é modificável, faz-se necessária a conscientização dessa população sobre os fatores de risco modificáveis, a fim de se reduzir o risco cardiovascular.

Gráfico 9 – Histórico de doença cardiovascular individual e familiar.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

3.9 Etilismo e Tabagismo

Os fatores de risco comportamentais mais preponderantes, tanto para doenças cardíacas quanto para AVC, são: dieta inadequada, sedentarismo, uso de tabaco e uso nocivo de álcool (OPAS, 2017). Dentre os voluntários, apenas 3% faziam uso de tabaco, porcentagem esta bem inferior à encontrada na população brasileira (10,1 %), conforme apresentado no gráfico 10 (INCA, 2018).

Gráfico 10 – Índices de tabagismo e etilismo.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

Foi demonstrado que o consumo de álcool é realizado por cerca de 67% da população entrevistada, sendo que o consumo variou de 1 a 3 vezes por semana. Pelos dados, observa-se que 33% dos indivíduos não utilizavam o álcool. Sabendo que o uso abusivo de álcool predispõe ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e, pelo fato de ser um fator modificável, faz-se necessário a conscientização da população, sobre a importância de se evitar o uso prejudicial de bebidas alcoólicas.

3.10 Prática de atividade física

A atividade física, sob orientação de profissional habilitado, tem um efeito favorável na redução da pressão arterial, peso corporal e coagulação sanguínea, além de aumentar a capacidade cardiorrespiratória, reduzindo a pressão sanguínea do corpo em repouso, o que diminui o risco do AVC (HCOR, 2017).

Nos indivíduos estudados, 57% praticavam atividade física e 43% não praticavam. Dentre as atividades mencionadas, destaca-se a caminhada como a mais executada (Gráfico 11).

Gráfico 11 – Atividades físicas relatadas.

Fonte: dados da pesquisa, 2019 – Autoria própria

Tal achado pode ser explicado pelo fato de ser uma prática barata, não exige equipamentos complexos, nem roupas caras. A parcela que não realiza nenhuma atividade física está mais propensa a desenvolver doenças cardiovasculares. Por isso, faz-se necessário a conscientização desses indivíduos, sobre a importância da atividade física na manutenção da saúde.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O rastreamento de doenças é uma importante ferramenta dos profissionais de saúde, para a promoção, proteção e recuperação da saúde da população; norteando as decisões clínicas de tratamento e encaminhamentos.

As doenças cardiovasculares representam um grave problema mundial de saúde pública e necessitam da atenção de todos os profissionais da saúde. Por isso, faz-se necessário o uso rotineiro de procedimentos de rastreio, capazes de identificar precocemente a sua ocorrência, a fim de se buscar um tratamento correto, podendo, também, serem utilizados na conscientização da população e no fomento da adoção de hábitos saudáveis de vida.

A partir desse estudo, foi possível prestar a uma determinada comunidade, o serviço assistencial farmacêutico, referente à execução de rastreio em saúde, para desfechos negativos de doenças cardiovasculares, regulamentadas pela Resolução 585 / 2013, do Conselho Federal de Farmácia – CFF. Essa experiência foi essencial para o desenvolvimento de habilidades importantes, como mente investigativa, habilidade de avaliação da situação e comunicação, essenciais para a formação de um Farmacêutico Clínico. Além disso, pode-se constatar que a maior parte dos integrantes não apresentava alta prevalência de fatores que aumentam o risco cardiovascular, no entanto, medidas educativas devem ser direcionadas, principalmente, ao público feminino, sobre o IMC e CC, a fim de se evitar o desenvolvimento de doenças futuras.

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