A EXCREÇÃO URINÁRIA DO SÓDIO COM O USO ABUSIVO DE ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS

A EXCREÇÃO URINÁRIA DO SÓDIO COM O USO ABUSIVO DE ALIMENTOS [1]INDUSTRIALIZADOS

Pedro Henrique de Castro Karanikas1, Matheus Dias de Souza Barros2 Juliana Patrícia Martins de Carvalho3 Paulo Rodrigo Figueiredo4

RESUMO

Atualmente, o consumo de alimentos industrializados tem crescido constantemente. O objetivo desse estudo é analisar o impacto do consumo excessivo de sódio presente nesses alimentos. O método utilizado foi comparação dos resultados apresentados nos exames de excreção urinária de sódio 24h com os dados coletados por meio de questionários respondidos pelos voluntários. A idade dos analisados varia entre 17 a 54 anos de idade, e a média dos resultados foram de 214mm/24h. Dos resultados superiores a 200mm/24h, afirmam que consomem mais de quatro copos de refrigerante diariamente, sendo o hábito mais discrepante entre os voluntários que apresentaram valores considerados normais no exame urinário, tendo os outros fatores relacionados à condição de saúde física considerados normais segundo as respostas apresentadas. Com isso concluímos que o uso abusivo de alimentos industrializados sobrecarrega a excreção renal para eliminar o excesso.

Palavras-chave: Alimentos industrializados; Sódio; Bioquímica.

ABSTRACT


Currently, consumption of processed foods has grown steadily. The aim of this study is to analyze the impact of excessive sodium consumption in these foods. The method used was a comparison of the results presented in the 24-hour urinary sodium excretion exams with the data collected through questionnaires answered by the volunteers. The age of those analyzed varies between 17 and 54 years of age, and the average results were 214mm / 24h. Results above 200mm / 24h state that they consume more than four glasses of soda daily, being the most discrepant habit among the volunteers who presented values ​​considered normal in the urinary exam, with the other factors related to the physical health condition considered normal according to the responses presented. With this we conclude that the abusive use of processed foods overloads the renal excretion to eliminate the excess.

Keywords: Processed foods; Sodium; Biochemistry.

1 Técnico em Análises Clínicas / FUNEC – CENTEC, e-mail: pedro.karanikas92@gmail.com;

2 – Técnico em Análises Clínicas / FUNEC – CENTEC, e-mail: teteudias2@hotmail.com;

3 – Professora Orientadora / FUNEC – CENTEC, e-mail: julianapmdc@gmail.com;

4 – Professor Co-orientador / FUNEC – CENTEC, e-mail:. paulo.figueiredo@edu.contagem.mg.gov.br

  1. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos o consumo de sal está aumentando na maior parte do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação diária é de 5 g de sal por dia (equivalente a 2000 mg de sódio), enquanto o brasileiro consome em média 12g por dia, ou mais. (NILSON, JAIME & RESENDE, 2012). Grande parte do sal consumido é devido ao uso de sódio na cozinha, já na indústria é muito utilizado com função de conservação de alimentos, portanto, alimentos como embutidos, enlatados, queijos e salgadinhos, trazendo em suas composições grandes quantidades de sal (COSTA & MACHADO, 2010). O consumo excessivo de sódio na alimentação está relacionado com o desenvolvimento de doenças crônicas como: hipertensão arterial, problemas renais e doenças cardiovasculares (DCV) (Nilson, Jaime & Resende, 2012). Levando-se em consideração que mais de 95% do sódio ingerido é excretado na urina, e que a avaliação dietética apresenta muitos problemas operacionais, a excreção urinária de 24h vem sendo utilizada como um marcador do consumo diário de sódio, apesar da grande variabilidade interindividual. Assim sendo, interpretações clínicas e fisiológicas baseadas numa única avaliação devem ser cautelosas. Este problema, porém, pode ser superado em estudos de base populacional, visto que a excreção urinária de sódio é considerada um bom índice de consumo de sal num dado dia (Frost CD, Law MR, Wald NJ, 1991).   O objetivo desta pesquisa é analisar o impacto referente ao consumo de produtos industrializados para um indivíduo a curto e longo prazo, em pessoas de diferentes idades e quantidades distintas. Além de analisar a pressão arterial dos indivíduos comparando os níveis de sódio obtidos na excreção urinária, e também,

  • METODOLOGIA

Foi feita uma revisão bibliográfica para saber a viabilidade do projeto (Nilson, 2012; Costa, 2010), onde verificamos que a estimativa isolada de sódio permite avaliar o consumo excessivo de sal e o consumo inadequado de alimentos saudáveis como frutas e verduras, ricos em potássio, pois o aumento desta relação pode ocorrer tanto por elevação do consumo de sódio, proveniente de alimentos industrializados e o uso de sal de adição, como por diminuição do consumo de potássio, o que pode caracterizar uma alimentação de mais baixa qualidade nutricional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a relação de consumo de sódio/potássio seja igual a 1. A avaliação do consumo alimentar nos voluntários foi realizada por diferentes métodos, dentre os quais os dietéticos através da coleta de informações. Foi realizada a seleção de 20 (vinte) voluntários independente de sexo ou idade, os quais foram submetidos a um questionário. Coletou-se dados sobre hábitos alimentares, principalmente sobre o consumo diário de sal e alimentos industrializados, além das condições de saúde geral.  Os voluntários enviaram amostas de urina coletadas durante 24 (vinte e quatro) horas, além de realizar uma aferição da pressão arterial. Nessas amostras enviadas foi realizado a medição do nível de sódio excretado. Com os resultados e com os questionários respondidos foi feita uma análise comparativa dos dados coletados e os resultados obtidos nos exames de excreção urinária.

  • OBJETIVOS

Avaliar a relação entre consumo alimentar e desfechos de saúde para melhor compreender os determinantes e informar a comunidade da importância do planejamento de ações de prevenção e promoção da saúde através de bons hábitos alimentares. Sabendo que é necessário conscientizar para adaptar as necessidades da comunidade escolar envolvida com o projeto, pois o acesso a uma boa alimentação é influenciado por diversos fatores, dentre os quais estão os econômicos, sociais, culturais e os determinados por condições de saúde. Visto que, algum processo patológico interfere na ingestão de alimentos a partir de restrição alimentar imposta por planos dietoterápicos específicos. Levando em consideração que a excreção urinária pode ser utilizada como um bom indicador do consumo do eletrólito em questão, este estudo tem por objetivo identificar os fatores nutricionais associados ao alto cosumo de sódio em adultos.

  • RESULTADOS E DISCUSSÃO

A idade variou de 17 a 54 anos, sendo que todos os voluntarios responderam uma anamnese sobre a rotina de sua alimentação. Tendo um valor de referência de 40 a 220 mol/24h, houve 3 resultados superiores ao recomendado (15%) e 17 dentro dos valores preconizados (85%). A partir dos resultados alterados, todos tem uma idade superior à 40 anos e indicaram que consomem grandes quatidades de alimentos industrializados semanalmente, sobretudo refrigerantes. Dos outros 17 pacientes com resultados  normais, as idades variam de 16 á 20 anos. Os biomarcadores são independentes de erros aleatórios em relação aos erros inerentes dos inquéritos dietéticos e apresentam maior precisão. Portanto, a avaliação do consumo de sódio pela excreção urinária estima com maior precisão do que os métodos de coleta de informações dietéticas. No entanto, podemos observar outros fatores associados a condição de saúde física geral dos voluntários, como certa diferença de idade, embora todos de idade adulta, sendo que não foram coletadas outras informações determinantes com relação à patologias ou acesso aos alimentos e conhecimento cultural. Sendo assim, os resultados mostram uma tendência de valores mais altos de acordo com o tempo. Mas é preciso ressaltar que apesar de considerável a diferença de idade não houve voluntário em idade senil ou com alguma patologia renal declarada.

5. CONCLUSÕES

Com o projeto observa-se que pessoas que cosomem alimentos com excesso de sódio podem acabar sobrecarregando os rins, porém não de forma precoce, e sim com o passar do tempo. Fazendo com que tenha possibilidade de doenças renais ou cardiovasculares como consequência. Portanto, é fundamental que a população tenha consciência dos riscos inerentes ao alto consumo de sódio e de sua constante presença em alimentos industrializados.


6. REFERÊNCIAS

Frost CD, Law MR, Wald NJ. By how much does dietary salt reduction lower blood pressure? II- Analysis of observacional data within populations. BMJ 1991;302:815-8. Disponível em: https://www.bmj.com/content/302/6780/811.short

MacMahon S, Peto R, Cutler J. Blood pressure, stroke and coronary heart disease: effects of prolonged diferences in blood pressure-evidence from nine prospective observational studies corrected for dilution bias. Lancet 1995;335:765-74. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1969518

NILSON, Eduardo Augusto Fernandes; JAIME, Patrícia Constante; RESENDE, Denise de Oliveira. Iniciativas desenvolvidas no Brasil para a redução do teor de sódio em alimentos processados. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 32, p. 287-292, 2012. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/rpsp/2012.v32n4/287-292/es/

COSTA, Fabiana Pires; MACHADO, Sandra Helena. O consumo de sal e alimentos ricos em sódio pode influenciar na pressão arterial das crianças?. Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, p. 1383-1389, 2010. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2010.v15suppl1/1383-1389/pt/


[1] Técnico em Análises Clínicas / FUNEC – CENTEC, e-mail: pedro.karanikas92@gmail.com;

² – Técnico em Análises Clínicas / FUNEC – CENTEC, e-mail: teteudias2@hotmail.com;

3 – Professora Orientadora / FUNEC – CENTEC, e-mail: julianapmdc@gmail.com;

4 – Professor Co-orientador / FUNEC – CENTEC, e-mail:. paulo.figueiredo@edu.contagem.mg.gov.br