ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DO CÓRREGO BEIJA-FLOR E SEU IMPACTO NOS MORADORES

ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DO CÓRREGO BEIJA-FLOR E SEU IMPACTO NOS MORADORES

Nathalia Soares de Oliveira Silva1; Isabella Vitoria Hilarino Lourenço de Jesus2; Juliana Patrícia Martins de Carvalho Martins 3; Paulo Rodrigo Figueiredo4

RESUMO

Devido à crise hídrica no Brasil ser considerada a pior da história e, dada a importância da qualidade da água para o consumo, esse projeto visa conscientizar os moradores da Vila Beija-flor e bairros adjacentes, sobre os riscos do contato com a água do Córrego Beija-flor, onde se encontra uma população considerável, de diferentes bairros e faixas etárias, exposta a patógenos causadores de doenças silenciosas, que estão acometendo pessoas em grande parte do Brasil. Portanto, o presente projeto visa esclarecer esse perigo para a comunidade e conscientizá-la sobre o perigo que está sendo apresentado a ela, diariamente.

Palavras-chave: Água; Microbiologia; Patógenos; Saúde, Enchentes

ABSTRACT

Considering that the water crisis in Brazil is considered the worst in history and, given the importance of the quality of drinking water, this visa project raises the awareness of residents of Vila Beija-Flor and adjacent neighborhoods about the risks of contact with water in the stream Vila Beija-Flor, where it finds an estimated population, from different neighborhoods and age groups, exposed to pathogens that cause silent diseases, which are affecting people in much of Brazil. Therefore, the present visa project clarifies this danger to the community and makes you aware of the danger that is being presented to it, daily.

Keywords: Water; Microbiology; Pathogens; Health, Floods

1- Técnica em Análises Clínicas na Fundação de Ensino de Contagem-FUNEC-Unidade CENTEC, estudante de Empreendedorismo – Unidade Cruzeiro do Sul, EAD, e-mail: nathsoares642@gmail.com; 2 – Técnica em Farmácia na FUNEC-Unidade CENTEC, e-mail: bellalourenco91@gmail.com; 3 – Formada em Ciências Biológicas – UFMG e, em Medicina Veterinária  – UFMG – Pós graduação em Gestão de Ensino, em Meio Ambiente e Sustentabilidade – Especialização em Microbiologia na Ciência Animal pelo INE, e-mail: julianapmdc@gmail.com; 4 – Graduado em Ciências Biológicas pelo Instituto Metodista Izabela Hendrix- 2003 – Especialista em Microbiologia Médica pela PUC Minas – 2007- Técnico em Análises Clínicas pela FUNEC – 1998, e-mail: paulo.figueiredo@edu.contagem.mg.gov.br

1.       INTRODUÇÃO

De acordo com o Portal Toda Matéria (2018), “no Brasil, a falta de água tornou-se mais grave a partir do ano de 2014. Na ocasião, a região Sudeste foi a principal afetada. A atual crise hídrica do Brasil é considerada a pior da história’. (PORTAL TODA MATÉRIA, 2018).

E, segundo Rodolfo F. Alves Pena, colunista do Portal Alunos Online [2018], um dos principais agravantes dessa crise hídrica “é a poluição gerada pela deposição de esgoto ou pela poluição excessiva das cidades. Em lugares onde o saneamento básico ambiental não é adequado, esse quadro torna-se ainda mais dramático” (PORTAL ALUNOS ONLINE, [2018]). Um desses exemplos, é o Córrego Beija-Flor, que abrange vários bairros do município de Contagem, como: Petrolândia, São Luiz, São Caetano, Santa Helena, Tropical, Chácaras, Beija-flor, Campo Alto, Sapucaias, Lúcio de Abreu e Belém, entre outros, ligando-se ao córrego Imbiruçu e, atingindo diretamente mais de 30 mil pessoas, conforme o (INFORMATIVO DA PREFEITURA DE CONTAGEM – Nº 19, 2018).

Segundo Vanessa Sardinha dos Santos, colunista do Portal Mundo Educação [2018],

Dentre as principais doenças desencadeadas pela água contaminada, destaca-se a diarreia causada por enterobacteriacceas (Escherichia coli, Salmonella). Todos os anos, milhões de pessoas, principalmente crianças, morrem em consequência dessa doença provocada pelo contato com a água imprópria para o consumo.(…) Além da diarreia, outras doenças que podem ser transmitidas pela água contaminada são a giardíase [(parasita giárdia.)], leptospirose [(bactéria presente na urina de ratos)], cólera [(‎Vibrio cholerae)] , febre tifoide [(Salmonella) e hepatite A (vírus)]. (PORTAL MUNDO EDUCAÇÃO, [2018]).

Dessa maneira, a presente pesquisa se faz necessária, para obtenção da identificação dos riscos aos quais estão expostos os moradores da comunidade Beija Flor e dos bairros próximos, à exposição possível, com os diferentes patógenos presente na água do córrego, a fim de identificar o grupo de microrganismo predominante e, assim, relacionar os dados obtidos às patologias que acometem a comunidade.

2 – METODOLOGIA

Foram aplicados 25 questionários, com a finalidade de constatar os principais sintomas e sinais apresentados pela comunidade nos últimos 2 anos.

Por conseguinte, foram coletadas 3 amostras de 3 pontos diferentes, para a pesquisa de coliformes fecais e bactérias heterotróficas, de testes presuntivo e confirmatório, com destino à tabulação de dados, análise dos patógenos identificados e a sintomatologia clínica da comunidade, de acordo com o Manual Prático de Análise de Água – FUNASA/MS (2013), como segue:

Teste presuntivo

  1. Tomar uma bateria contendo 15 tubos de ensaio distribuídos de 5 em 5;
  2. Nos primeiros 5 tubos, (os que contêm caldo lactosado de concentração dupla) inocular, com pipeta esterilizada, 10 mL da amostra de água a ser examinada, em cada tubo. (Diluição 1:1);
  3. Nos 10 tubos restantes (os que contêm caldo lactosado de concentração simples), inocular nos 5 primeiros 1 mL da amostra (Diluição 1:10) e nos 5 últimos tubos, inocular 0,1 mL da amostra, em cada tubo. (Diluição 1:100).
  4. Misturar;
  5. Incubar a 35 ± 0,5oC durante 24/48 horas;
  6. Se no final de 24/48 horas, houver a formação de gás dentro do tubo de Durhan, significa que o teste presuntivo foi Positivo.

Neste caso, fazer o teste confirmativo. Se não houver a formação de gás durante o período de incubação, o exame termina nessa fase e o resultado do teste é considerado negativo. (MANUAL PRATICO DE ANALISE DA ÁGUA –  FUNASA/MS, 2013, p. 21).

Teste confirmativo.

  1. Tomar o número de tubos do teste presuntivo que deram Positivos (formação de gás) nas 3 diluições 1:1; 1:10 e 1:100;
  2. Tomar igual número de tubos contendo o meio de cultura verde brilhante Bile a 2%;
  3. Com a alça de platina, previamente flambada e fria, retirar de cada tubo positivo uma porção de amostra e inocular no tubo correspondente contendo o meio verde brilhante. Esse procedimento chama-se repicagem;
  4. Identificar os tubos;
  5. Incubar durante 24/48 horas a 35 ± 0,5oC;
  6. Se no final do período de 24/48 horas houver a formação de gás dentro do tubo de Durhan o teste é considerado positivo. Caso não haja formação de gás, o teste é considerado negativo. (MANUAL PRÁTICO DE ANÁLISE DA ÁGUA, 2013, p.22).

3 – RESULTADOS

O gráfico mostra a formação de gás em 5 tubos da amostra 1; em 4 tubos da amostra 2; em 3 tubos da amostra 3, sendo necessário o teste confirmatório pelo resultado positivo.

Gráfico 1 – Teste Presuntivo – Autoria própria

O gráfico mostra uma queda na formação de gás, na maioria dos tubos, o que representa resultado negativo para os microrganismos pesquisados.

Gráfico 2 – Teste presuntivo e confirmatório – autoria própria.

4 – CONCLUSÃO

Destarte, infere-se que, com essa pesquisa, podemos constatar que os dois testes são necessários para maior precisão nos resultados, com confirmação de 95% de exatidão na conclusão. Assim, a água pesquisada está dentro dos padrões, segundo o Manual Prático de Análise da Água, (2013, p. 25), dessa forma, não apresentando risco para a população vigente.

5 – REFERÊNCIAS

ALTERTHUM, Flávio; TRABULSI, Luiz Rachid. Microbiologia. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 2008.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Fundação Nacional de Saúde – Funasa. Manual Técnico de Análise de Água para Consumo Humano. Brasília: Funasa, 1999. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_analise_agua_2ed.pdf>. Acesso em: 05 dez. 2018.

CONTAGEM. PREFEITURA FAZ. Informativo da Prefeitura de Contagem – Nº 19 – novembro / dezembro – 2009. Disponível em: < http://www.contagem.mg.gov.br/arquivos/publicacoes/prefeiturafaz19web.pdf?x=20200125081634>. Acesso em: 06 dez. 2018.

GUIA NACIONAL DE COLETA E PRESERVAÇÃO DE AMOSTRAS: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos. Brasília-DF: CETESB/Agência Nacional de Águas – ANA, 2011. Disponível em: <http://arquivos.ana.gov.br/institucional/sge/CEDOC/Catalogo/2012/GuiaNacionalDeColeta.pdf>. Acesso em: 05 dez. 2018.

MORAES, Danielle Serra de Lima; JORDÃO, Berenice Quinzani. Degradação de recursos hídricos e os seus efeitos sobre saúde humana. In: Rev. Saúde Pública vol.36 no.3 São Paulo June 2002. Disponível em: < https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102002000300018>. Acesso em: 05 dez. 2018.

PORTAL MINHA VIDA. Hepatite: tipos, sintomas e é transmissível? Revisado por Leonardo Peixoto. Disponível em: < https://www.minhavida.com.br/saude/temas/hepatite>. Acesso em: 05 dez. 2018.

PORTAL MUNDO EDUCAÇÃO. Água contaminada. Publicado por: Vanessa Sardinha dos Santos. Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/Agua-contaminada.htm>.  Acesso em: 05 dez. 2018.

SANTOS FILHO, D. F. dos. Tecnologia de tratamento de água: água para indústria. Rio de Janeiro: Almeida Neves, 1976.

TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. Microbiologia. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.