ESTE DE EFICIÊNCIA DE ENXAGUANTES BUCAIS COMERCIALIZADOS EM CONTAGEM-MG, NA CAVIDADE ORAL DE ALUNOS DA FUNEC-CENTEC

TESTE DE EFICIÊNCIA DE ENXAGUANTES BUCAIS COMERCIALIZADOS EM CONTAGEM-MG, NA CAVIDADE ORAL DE ALUNOS DA FUNEC-CENTEC

Gabriela Oliveira Pacheco1, Rodrigo Lobo Leite2, Jefferson Rodrigues3

RESUMO

Os enxaguantes bucais do tipo antissépticos são muito utilizados na rotina doméstica, para proporcionar uma sensação de limpeza e refrescância. Além do princípio ativo, alguns contêm uma concentração de álcool excessiva, que pode levar a lesões da mucosa bucal. O presente projeto tem por objetivo testar a eficiência de enxaguantes bucais comercializados em Contagem-MG, na cavidade oral de alunos da FUNEC-CENTEC e,realizar a análise das propostas descritas nos rótulos de enxaguantes bucais cosméticos comercializados e de sua veracidade a partir de seu uso contínuo, como prioridade a análise da proposta de combate das placas bacterianas e, também, levando em consideração se esse uso será benéfico ou prejudicial à flora bacteriana da cavidade oral; por meio da análise das amostras de estudantes do ensino médio da unidade Centro Tecnológico de Contagem – CENTEC, da Fundação de Ensino de Contagem – FUNEC. Além disso, tem como proposta analisar os hábitos de higiene e as concepções dos alunos sobre a necessidade do uso de enxaguantes bucais, mediante a aplicação do questionário sobre as considerações e hábitos de cada um. Com os resultados obtidos, pode-se comprovar que o enxaguante número três foi o mais eficiente, por se tratar de um enxaguante terapêutico à base de clorexidina, que deve ser utilizado apenas nos casos pré-cirúrgico e pós-cirúrgico, para limpar cavidades entre outros, não sendo indicado para uso regular, pois pode influenciar na diminuição da microbiota indígena. Para a população geral, o uso de enxaguantes bucais com efeito antisséptico não é recomendado, devido a grande quantidade de álcool presente em algumas soluções, o que pode levar a lesões da mucosa bucal. 

Palavras-chave: Enxaguantes bucais; Hábitos de higiene; Saúde bucal

ABSTRACT

The purpose of this project is to test the efficiency of mouthwashes sold in Contagem-MG, in the oral cavity of FUNEC-CENTEC students, and to perform the analysis of the proposals described on the labels of commercial cosmetic mouthwashes and their veracity from their continuous use, as a priority the analysis of the proposal to fight bacterial plaques and also taking into consideration whether this use will be beneficial or harmful to the bacterial flora of the oral cavity; by analyzing the samples of high school students at the Centro Tecnológico de Contagem – CENTEC, of ​​the Fundação de Ensino de Contagem – FUNEC. In addition, it proposes to analyze the hygiene habits and the students’ conceptions about the need to use mouthwashes, through the application of the questionnaire about the considerations and habits of each one. With the results obtained, it can be proven that rinse number three was the most efficient, since it is a therapeutic rinse based on chlorhexidine, which should be used only in pre-surgical and post-surgical cases, to clean cavities between others, not being indicated for regular use, as it can influence the decrease of the indigenous microbiota. For the general population, the use of mouthwashes with antiseptic effect is not recommended, due to the large amount of alcohol present in some solutions, which can lead to lesions of the oral mucosa.

Keywords: Mouthwashes; Hygiene habits; Oral health.

1 – Técnica em Análises Clínicas, e-mail: gabrielapacheco0021@gmail.com;   2- Formado em Ciências Biológicas – PUCMINAS, Pós Graduação em Microbiologia – PUCMINAS, Mestrado em Microbiologia de Alimentos-UFLA. Prof. Microbiologia FUNEC/CENTEC. Professor Titular – UIT. Coordenador Iniciação Científica – FUNEC, e-mail: rodrigo.leite@edu.contagem.mg.gov.br; 3 – Formado em Ciência Biológicas – UMA, Especialização em Análises Clínicas. Prof. da FUNEC/Centec, e-mail: jeffersonr2004@ig.com.br.

  1. INTRODUÇÃO

A saúde de um indivíduo tem ligação direta a saúde bucal, pois a boca interage com todas as outras estruturas corporais e para mantê-la é necessário a realização adequada da higiene bucal. Os hábitos de escovação e o uso correto do fio dental ajudam a evitar doenças bucais que, por consequência, podem levar a enfermidades (ou agravá-las), como as doenças cardiovasculares ou diabetes.

A partir da percepção da má higienização bucal dos alunos do corpo discente da unidade Centro Tecnológico de Contagem (CENTEC), da Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC), surgiu a curiosidade de indagar sobre os hábitos comuns de cada aluno, visando à conscientização de todos e demonstrar a utilização dos enxaguantes bucais para os alunos, pesquisando se os enxaguantes cosméticos apresentam de fato aspectos positivos ou negativos para quem os utiliza e se somente a utilização do enxaguante fornece para os alunos algum resultado uma vez que a grande maioria dos alunos do integrado permanece na instituição no intervalo do almoço. O projeto contribuiu com a ampla pesquisa de avaliação microbiológica e de comportamento e/ou hábito dos alunos da instituição para assim alcançar o objetivo da pesquisa.

Os enxaguantes bucais cosméticos podem ser utilizados como um adicional a escovação bucal mecânica, por causar uma sensação de hálito fresco e sabor agradável. No rótulo da maioria dos produtos dessa classe podem se encontrar as promessas de contribuição para o combate à cárie e a redução de placa bacteriana, fundamentando-se nisso surgiu a proposta de análise de essas promessas serem válidas ou somente marketing das empresas que comercializam esse tipo de produto, devido a maioria dos usuários atrelarem o conforto da utilização e sensação de limpeza à prevenção da proliferação das bactérias danosas na cavidade oral.

Outra questão analisada foi a possibilidade das marcas de enxaguantes cosméticos estarem se aproveitando das propostas de enxaguantes bucais terapêuticos que são medicamentos e tem por consequência a função de tratar e prevenir as enfermidades bucais. E também se as composições diferentes, como a adição de clorexidina nas formas de enxaguantes terapêuticos faria com que a ação deles fosse mais abrangente.

2 – REFERÊNCIAL TEÓRICO

A partir da percepção da má higienização bucal dos alunos do corpo discente da unidade Centro Tecnológico de Contagem (CENTEC), da Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC), surgiu a curiosidade de indagar sobre os hábitos comuns de cada aluno, visando à conscientização de todos e demonstrar a utilização dos enxaguantes bucais para os alunos, pesquisando se os enxaguantes cosméticos apresentam de fato aspectos positivos ou negativos para quem os utiliza e se somente a utilização do enxaguante fornece para os alunos algum resultado uma vez que a grande maioria dos alunos do integrado permanece na instituição no intervalo do almoço. O projeto terá ampla pesquisa de avaliação microbiológica e de comportamento e/ou hábito dos alunos da instituição para assim alcançar o objetivo da pesquisa.

Uma vez que, “muitos estudos de diversas áreas geográficas e sociais têm mostrado evidências de que a efetiva remoção da placa bacteriana dentária (placa) é essencial para o controle das doenças cárie e periodontal (STRAUB, 1998)”, é importante que os alunos melhorem seus hábitos de higienização bucal, para se evitar as doenças citadas.

Considerando-se que, “os enxaguantes bucais são produtos de higiene oral na forma líquida com funções de refrescar o hálito e diminuir a contaminação bacteriana, sendo muito usados pelas pessoas sem orientação de um profissional habilitado. (COSTA, 2012)”, é importante verificar a eficácia do produto e atentar-se a correta utilização do produto pelos alunos da instituição.

Considerando-se, ainda, que os “estudos sobre autopercepção da saúde bucal na adolescência são raros, alimentando o mito de que na adolescência existem poucos agravos à saúde de forma geral. (ZAMBONI, 2015)”, o mau estudo e a não realização de pesquisas como esta, indaga ainda mais sobre o comportamento higiênico dos alunos e a realização de testes que comprovariam a facilidade ou a inutilidade do enxaguante no dia a dia dos estudantes dos cursos do integrado.

Em função disso, esse projeto teve como objetivo testar a eficiência de enxaguantes bucais comercializados em Contagem-MG na cavidade oral de alunos da FUNEC-CENTEC

3 – METODOLOGIA

A coleta de dados foi realizada com 26 estudantes da unidade Centro Tecnológico de Contagem (CENTEC), da Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC) por meio da aplicação de um questionário que continha as informações necessárias para a seleção de voluntários, para a coleta de amostras biológicas que seria posteriormente efetuada. Após foi feita a seleção dentre os que responderam o questionário, produção do termo de consentimento livre e esclarecido e a distribuição para os selecionados, seguida do recolhimento de cada um deles.

Realizou a identificação dos recipientes de cada um dos 4 antissépticos selecionados para análise e os 100 tubos onde seriam feitas as análises.

Nesse estudo o meio tioglicolato líquido foi o meio precursor para a realização das análises, foi feita a pesagem e diluição de 29,5g do meio em 1 litro de água deionizada e a solução foi dividida entre os tubos colocando 10 ml em cada um deles. Coletou-se 20 amostras de saliva pura em um recipiente devidamente higienizado e se distribuiu 0,1 ml em cada um dos tubos que já continham a solução de tioglicolato.

Baseados nisso, foi realizado uma análise com 4 marcas de antissépticos testar sua eficácia seguindo o esquema:

  • Identificação dos tubos onde foram adicionados os antissépticos e um para controle
  • Coletou-se saliva em um recipiente
  • Homogeneização;
  • Aplicação 0,1 de saliva em cada tubo;
  • Incubação a 37°C/ 48h
  • Aplicaram-se os enxaguantes nos tubos com a seguinte deposição:
Concentrações
Tubo Saliva (ml) Enxaguante (ml)
Tubo controle 0,1
1 0,1 0,2
2 0,1 0,4
3 0,1 0,6
4 0,1 0,8
5 0,1 1,0
  • Homogeneização da amostra,
  • Incubação das amostras em estufa microbiológica à 37 ºC por 72 horas
  • Análise da escala de crescimento bacteriano.

4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados foram analisados a partir da seguinte escala de crescimento bacteriano, onde 0 significa ausência de crescimento e maior concentração de crescimento microbiano

E as leituras obtidas a partir dessa escala estão descritas nas tabela de 1 a 4

Tabela 01 – Escala de crescimento do Enxaguante 01

Tabela 02 – Escala de crescimento do Enxaguante 02

Tabela 03 – Escala de crescimento do Enxaguante 03

Tabela 04 – Escala de crescimento do Enxaguante 04

O único resultado esperado foi do enxaguante 3 por ele ser um enxaguante terapêutico com a base de clorexidina.

O Enxaguante 2 não teve uma boa  eficiência, indo em contrário ao que se propõe no rótulo.

Já os enxaguantes 1 e 4 obtiveram uma boa eficiência e podem ser indicados para a limpeza e higienização bucal.

5 – CONCLUSÃO

Com os resultados obtidos pode-se comprovar que o enxaguante número três foi o mais eficiente, por se tratar de um  enxaguante terapêutico com a base de clorexidina e deverá ser utilizado apenas em casos de pré-cirúrgico, pós-cirúrgico, limpar cavidades entre outros, não sendo indicado para uso regular, pois pode influenciar na diminuição da microbiota indígena.

Os enxaguantes 1, 2 e 3 tiveram menor eficiência e devem passar por um novo processo de avaliação de sua eficiência.

Para a população em geral que não necessita, o uso de enxaguantes bucais com efeito antissépticos não é recomendado devido à grande quantidade de álcool presente em algumas soluções, o que pode levar a lesões da mucosa bucal. 

6 – REFERÊNCIAS

COSTA, L. R. Avaliação dos efeitos benéficos e prejudiciais à saúde bucal pelo uso contínuo de enxaguantes bucais. In: Unifil, 2012. Disponível em: <http://www.unifil.br/portal/images/pdf/documentos/livros/iii-simposio-de-iniciacao-cientifica.pdf#page=26>. Acesso em: 02 dez. 2018.

OLIVEIRA, Jeferon. Teste de eficiência dos antissépticos. Disponível em: <https://www.odontoup.com.br/resultado-do-teste-de-eficacia-dos-anti-septicos/>. Acesso em: 12 jul. 2019.

STRAUB, A. M.; SALVI, G. E.; & LANG, N. P. Supragingival plaque formation in the humam dentition. Proceedings of the European Workshop on Mechanical Plaque Control. Chicago: Quintessence, 2008.

ZAMBONI, G. L. P. et al. Percepções, conhecimentos e representações saúde bucal em adolescentes de escolas públicas e do município de Atibaia,SP. In: Revista da Faculdade de Odontologia – RFO-UPF, v.20, n.2, 2015. Disponível em: <https://doi.org/10.5335/rfo.v20i2.4693>. Acesso em: 02 dez. 2018.