RELAÇÃO ENTRE GLICEMIA EM DIABÉTICOS E A INGESTÃO DE FRUTAS DURANTE AS REFEIÇÕES.

RELAÇÃO ENTRE GLICEMIA EM DIABÉTICOS E A INGESTÃO DE FRUTAS DURANTE AS REFEIÇÕES.

Laura Maria Resende Oliveira1; Juliana Patrícia Martins de Carvalho Martins 2; Paulo Rodrigo Figueiredo 3

RESUMO

Os monossacarídeos e os oligossacarídeos são os principais carboidratos da alimentação humana. São moléculas simples, sendo os mais comuns, a glicose e a frutose (presentes nas frutas). Apesar de serem fundamentais para o organismo, os excessos de açúcares provocam desequilíbrios fisiológicos levando às doenças metabólicas ou o agravamento destas. No presente trabalho, pretende-se analisar o valor glicêmico do consumo médio da frutose, de acordo com as necessidades individuais, que se baseiam no histórico de saúde, rotina de atividades físicas, renda socioeconômica, entre outros fatores que influenciam os tipos de alimentos – principalmente as frutas. Ademais, o projeto visa reforçar os cuidados alimentares, para preservar os índices normoglicêmicos, sobretudo, evitando o acúmulo de alimentos com alta concentração de glicose, por meio de dosagens bioquímicas. Nesse sentido, os resultados obtidos sintetizaram indicativos preocupantes tangentes à interferência das frutas na glicemia humana. Portanto, configura-se a importância do estudo e a disseminação de informações, a fim de conscientizar a população com relação ao consumo ideal de frutas e, com isso, prevenir o aumento da glicemia e suas consequências.

Palavras-chave: Saúde; Frutas; Diabetes; Glicemia.

ABSTRACT

Monosaccharides and oligosaccharides are the main carbohydrates in human food. They are simple molecules, the most common of which are glucose and fructose (present in fruits). Despite being fundamental to the organism, excess sugar causes physiological imbalances leading to metabolic diseases or their worsening. In the present work, we intend to analyze the glycemic value of the average fructose consumption, according to individual needs, which are based on health history, physical activity routine, socioeconomic income, among other factors that influence the types of food – mainly fruits. In addition, the project aims to strengthen food care, to preserve normoglycemic indexes, above all, avoiding the accumulation of foods with a high concentration of glucose, through biochemical measurements. In this sense, the results obtained synthesized worrying indications tangent to the interference of fruits in human glycemia. Therefore, it is configured the importance of the study and the dissemination of information, in order to make the population aware of the ideal consumption of fruits and, with this, prevent the increase of blood glucose and its consequences.

Keywords: Health; Fruits; Diabetes; Glucose.

1 – Técnica em Análises Clínicas / FUNEC – CENTEC, e-mail: laura_resendem@hotmail.com; 2- Formada em Ciências Biológicas – UFMG, Formada em Medicina Veterinária  – UFMG, Pós graduação em gestão de ensino e  em meio ambiente e sustentabilidade – Especialização em microbiologia na ciência animal pelo INE, e-mail: julianapmdc@gmail.com; 3- Graduado em Ciências Biológicas pelo Instituto Metodista Izabela Hendrix- 2003 – Especialista em Microbiologia Médica pela PUC Minas- 2007- Técnico em Análises Clínicas pela Funec- 1998, e-mail: paulo.figueiredo@edu.contagem.mg.gov.br

1. INTRODUÇÃO

De acordo com o Ministério de Saúde – MS (2006), “o Diabetes Mellitus configura-se [hoje] como uma epidemia mundial, traduzindo-se em grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo”. A dieta inadequada é uma das grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes em todo o mundo. E, ainda, “segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde – OMS, o número de portadores da doença, no mundo, era de 177 milhões em 2000, com expectativa de alcançar 350 milhões de pessoas em 2025”. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).

Segundo o MS (2006), “no Brasil, o diabetes junto com a hipertensão arterial, é responsável pela primeira causa de mortalidade e de hospitalizações, de amputações de membros inferiores e representa, ainda, 62,1% dos diagnósticos primários em pacientes com insuficiência renal crônica, submetidos à diálise”. O MS (2006) diz, ainda, que:

Os tipos de diabetes mais frequentes são o diabetes tipo 1, anteriormente conhecido como diabetes juvenil, que compreende cerca de 10% do total de casos, e o diabetes tipo 2, anteriormente conhecido como diabetes do adulto, que compreende cerca de 90% do total de casos. Outro tipo de diabetes encontrado com maior frequência e cuja etiologia ainda não está esclarecida é o diabetes gestacional, que, em geral, é um estágio pré-clínico de diabetes, detectado no rastreamento pré-natal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).

O consumo do açúcar em pequenas quantidades e ingestão adequada de frutas in natura diariamente não parece estar relacionado com doenças, ao contrário. No entanto, segundo o Dr. Drauzio Varella, seu “uso abusivo [em] sucos de frutas e alimentos, que contenham em sua composição o xarope de milho com alta concentração de frutose, está diretamente associado ao aumento da incidência da síndrome metabólica e de suas principais consequências, a doença cardiovascular, o diabete e a obesidade”. (PORTAL DRAUZIO VARELLA, 2017).

 Em virtude dessa problemática, o trabalho visa elencar frutas com mais biodisponibilidade de frutose e a quantidade recomendada, em média, a serem ingeridas, conforme as necessidades individuais, além de comparar, por meio de dosagem bioquímica de glicemia in vitro, as taxas desta, após a ingestão de frutas e doces. Por fim, o projeto visa, também, a aquisição de mais informações, de forma técnica, uma vez que o tema é pouco difuso na sociedade e, assim, poder contribuir com a prevenção de possíveis morbidades relacionadas com o aumento da glicemia em diabéticos e não diabéticos.

2. METODOLOGIA

O projeto se iniciou com uma revisão bibliográfica, para listar as frutas e suas respectivas biodisponibilidades de frutose. Desse modo, quinze participantes diabéticos corretamente informados, mediante confirmação pelo termo de consentimento livre e esclarecido, responderam um questionário com o fito de visualizar as frutas mais presentes no dia a dia e fazer uma análise quantitativa dessas. Além disso, por meio de entrevista, configurou-se que 100% do grupo controle não fora orientado corretamente por profissionais da saúde, no que  tange à ingestão de frutas em suas dietas. Após a coleta das amostras de acordo com os protocolos do posto de coleta da FUNEC – unidade CENTEC, todas as referências foram dosadas, tabeladas e enviadas para os participantes desse projeto, devidamente orientadas.

Contudo, houve a discussão dos resultados bioquímicos e do questionário com o orientador e, assim, a elaboração de gráficos comparativos e considerações finais.

3. RESULTADOS

Figura 1: Gráfico dos resultados – Elaboração própria.

 4.  DISCUSSÃO

Infere-se, portanto, de acordo com os resultados dos pacientes diabéticos, que os índices de glicose aleatória, aumentados com ingestão recorrente de frutas, correspondem a 66%,  mesmo com um controle rigoroso do uso de insulina e dieta adequada. Essa hiperglicemia presente em mais de 2/3 dos voluntários contrasta com 1/3 dos participantes que realizaram o exame com jejum e com o consumo insignificante de frutas recentemente.

Ademais, de acordo com os questionários obtidos, 100% dos voluntários não foram orientados corretamente com relação à inserção de frutas em suas dietas, dado relevante, uma vez que as frutas apresentam alto teor de frutose e glicose. A partir da conclusão do projeto, houve um retorno a todos os pacientes com o fito de orientá-los em relação aos dados por eles obtidos.

5. CONCLUSÕES

Sendo assim, esses resultados representam dados preocupantes, que se relacionam diretamente com a ingestão frequente de frutas com índice glicêmico elevado. Portanto, é fundamental a disseminação de informações e orientação técnica para promover a qualidade de vida da população – principalmente dos diabéticos.


6. REFERÊNCIAS

PORTAL Drauzio Varella. Frutose: o doce vilão. Publicado em: 17 de junho de 2011. Revisado em: 26 de novembro de 2019. Disponível em: < https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/frutose-o-doce-vilao >. Acesso em: 8 de jun. 2020.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diabetes Mellitus. Cadernos de Atenção Básica nº 16. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.  Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.pdf>. Acesso em: 8 de jun. 2020.

ABORDAGEM NUTRICIONAL EM DIABETES MELLITUS. Cood.: Anelena Soccal Seyffarth; Laurenice Pereira Lima; Margarida Cardoso Leite. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abordagem_nutricional_diabetes_mellitus.pdf>. Acesso em: 8 de jun. 2020.

DELIZA, Rosires; IOP FERREIRA, Silvia Cristina; TEIXEIRA, Evanilda. Comportamento alimentar de indivíduos diabéticos. In: Braz. J. Food Technol., II SSA, janeiro 2009. Disponível em: < http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/v11_edesp_08_000gdhhfbqk02wx5ok0rofsmqxt2sjvk.pdf> Acesso em: 8 de jun. 2020.