POR QUE VALORIZAR O CINEMA NACIONAL?

POR QUE VALORIZAR O CINEMA NACIONAL?

Por Luzia Lima Moreira

Professora de Língua Portuguesa na E.M. Prof.ª Maria Olintha e

Funec – Unidade Cruzeiro do Sul

Em Contagem, quando selecionamos filmes para as sessões comentadas que realizamos com os estudantes, procuramos dar preferência a produções nacionais. Primeiro, porque o cinema brasileiro retrata a nossa cultura, que é riquíssima. Segundo, porque temos a Lei 13.006/14, que estabelece a necessidade de incluir, no projeto pedagógico das escolas de educação básica, “a exibição de, no mínimo, duas horas mensais de filmes de produção nacional”. Mesmo com essas duas razões, que nos parecem justas e suficientes para que todas as escolas elaborem projetos de educação e cinema, ainda convivemos com aquela “velha opinião” de que os brasileiros não gostam de filmes nacionais. E alguém pode gostar daquilo que não conhece?

A partir do momento em que oportunizamos aos nossos estudantes o contato com o bom cinema nacional (animações premiadas, documentários extraordinários, longas-metragens com roteiros originais ou adaptações de clássicos da nossa literatura), é Tamor à primeira vista! Se a “educação é transformadora, ela muda pessoas. Pessoas mudam o mundo”, como disse o Mestre Paulo Freire. Então, podemos afirmar que a plateia que vai disputar os filmes brasileiros amanhã, seja nas salas de cinema ou nas plataformas de streaming, está agora em nossas mãos. 

CONTAGEM NA VANGUARDA

A participação de educadores/as de Contagem em eventos de cinema e audiovisual vem crescendo a cada ano. O engajamento dos/as participantes das primeiras formações em “Linguagem Cinematográfica para a Docência”, ofertadas pelo município, culminou na formação de um “GT de Educação e Cinema” que realiza encontros regulares (Rodas de Conversa), incentiva a criação de cineclubes nas escolas e inclui o audiovisual na pauta de discussão dos projetos pedagógicos.  Contagem está à frente de outros municípios por investir nessa linha de formação, antecipando-se à alteração do art. 26 da LDBN (Lei nº 13.006/2014), que incluiu o cinema no currículo escolar.

O mesmo grupo iniciou, em 2015, uma sequência de participações em mostras de cinema, em especial, a de Ouro Preto, por considerá-la uma atividade complementar à formação continuada, visto que metade das atividades da referida mostra é voltada para a educação. Na CINEOP, Projetos de Educação e Cinema desenvolvidos nas escolas (da Educ. Infantil ao Ens. Médio), bem como os filmes produzidos pelos estudantes têm espaço garantido na programação.

Em 2017, várias escolas de Contagem participaram do projeto “Inventar com a Diferença”, sob a coordenação da Professora Inês Teixeira (FAE/UFMG) e Cezar Migliorin (UFF). Ao longo de um ano, foram produzidos aproximadamente 30 filmes, e a maioria dos/as educadores/as envolvidos/as também participou da 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP. Foram selecionados cinco filmes produzidos em escolas de Contagem, com destaque para os/as estudantes e professores/as da E.M. Vasco Pinto da Fonseca.

É possível que não tenhamos a 15ª CINEOP em 2020, e certamente sentiremos falta, pois, nos últimos cinco anos, um grupo de educadores/as de Contagem marcou presença nos seminários e oficinas dessa Mostra. No início de junho do ano passado, por exemplo, a E. M. Professora Maria do Amparo já se preparava para mandar um ônibus com as meninas, protagonistas do filme “10 anos sem Eloá: a sociedade de costas para o território da violência”, produzido pelos estudantes sob a coordenação do Professor Sérgio Vaz Alkmin, curta-metragem que representou Contagem em 2019.

Em tempos de pandemia e isolamento social, temos de encontrar alternativas para manter vivos os sonhos e viva a nossa esperança de que voltaremos, em breve, à nossa rotina que talvez nem seja a mesma. Hoje, conversar com os vizinhos a partir de uma janela tem se mostrado eficiente para quebrarmos o isolamento sem correr risco. De modo semelhante, as experiências com o cinema no interior da escola vai significar algo novo na prática docente, permitindo maior horizontalidade na relação educando/educador, porque vão aprender juntos e vão produzir o filme juntos.

E já que falamos em janela, o texto abaixo, extraído do prefácio do livro “Cinema: uma Janela Mágica” resume bem o entusiasmo dos/as educadores/as que já compreenderam que o cinema é uma janela para o mundo, que reúne todas as linguagens e oferece ao educando várias possibilidades de abordar um tema.

A formação dos docentes em educação e cinema é importante, sobretudo nesses tempos de regulamentação e a implantação do cinema brasileiro nas escolas conforme determina a Lei 13.006/2014. Tempos que nos desafiam, que nos convocam a abrir Janelas Mágicas, Janelas Indiscretas, Janelas Periféricas, Janelas de Aprender e Desaprender, Janelas da Docência, Janelas de Inventar o cinema brasileiro, entre outros nomes que vamos dando aos nossos projetos e sonhos de encontro entre a educação e o cinema pelo Brasil afora. (BULLARA, B.; MONTEIRO, M. P., 1979).

Finalmente, é pelo empenho dos/as colegas do “GT Educação e Cinema” e pelos bons frutos que as escolas vêm colhendo, que seguimos acreditando na potência do audiovisual para um ensino inovador e buscando atividade de formação capaz de conectar educandos e educadores nesta grande rede, na qual educação e cultura são elementos indissociáveis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA/CONGRESSO NACIONAL. Lei 13.006, de 26 de junho de 2014. Acrescenta § 8º ao art. 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas de educação básica. Publicado no DOU de 27.6.2014. Brasília: Congresso Nacional, 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13006.htm>. Acesso em: 04 jun. 2020.

BULLARA, B.; MONTEIRO, M. P. Cinema: uma janela mágica. [Brasília]: CINEDUC – Cinema e Educação / EMBRAFILME, 1979.