De Leitora a Auxiliar de Biblioteca Escolar

De Leitora a Auxiliar de Biblioteca Escolar

Por Cléria Mara de Carvalho

Auxiliar de Biblioteca – Funec – Unidade Industrial

Sempre imaginei o paraíso como um tipo de biblioteca

Jorge Luis Borges

Desde pequena aprendi com meu pai a ler livros. Todas as noites ele lia alguma „historinha‟, antes deme fazer dormir. Não demorei a querer, eu mesma, “viajar” por entre páginas, personagens e histórias. Ainda me lembro da minha alegria ao conhecer a biblioteca da escola de Ensino Fundamental. Aquele pequeno lugar, no qual me perdia, fascinava-me e me proporcionava experiências inigualáveis e inesquecíveis.

Com o passar dos anos, os acréscimos de obrigações reduziram meu tempo de leitura, mas nunca me distanciei por longos períodos dos livros, que sempre foram meu passaporte para lugares, épocas, experiências e  conhecimentos. O hábito da leitura me privilegiou com imaginação fácil e criatividade solta. Precisei ler um pouquinho de tudo, visto que minha formação acadêmica é na área das ciências humanas, mas posso confessar algo? Os romances sempre foram o principal alvo da minha atenção.

Em 2006, vi a chance de unir o útil ao agradável. Consegui a estabilidade que um concurso público poderia me trazer, trabalhando num espaço que sempre me encantou. Foi assim que minha trajetória como auxiliar de biblioteca começou.

Foi necessário apreender o papel a ser desempenhado, dominar as competências e habilidades que eram requeridas, inteirar-me das burocracias necessárias, entender-me como educadora e, acima de tudo, compreender a importância do espaço que escolhi trabalhar dentro da escola, e no processo de ensino-aprendizagem, que uma vez compreendidos, levou-me a não deixar de lutar, para que outros pudessem compreendê-los e valorizá-los também.

A biblioteca escolar é uma importante aliada do processo de ensino-aprendizagem, pois é diretamente associada à leitura e ao hábito de ler. Portanto, para se efetivar como tal, a biblioteca precisa ser um espaço de incentivo à leitura, configurando-se como um ambiente favorável à aprendizagem, com ferramentas que contribuam para a reflexão e discussão, e oportunize a criação, o desenvolvimento da imaginação e o uso correto das informações. Tudo isto, de forma prazerosa, ao longo da vida do estudante, gerando conhecimento e competências necessárias para desenvolver seu senso crítico e sua leitura de mundo.

Nos dias atuais, nosso desafio é fazer da biblioteca um espaço dinâmico, vivo, de forma que o seu ambiente, acervo e demais ferramentas tornem-se atraentes ao estudante e sejam capazes de aproximá-lo, mesmo em um contexto de uso acirrado de celulares e acesso às mídias sociais. Daí a necessidade da consonância entre o  projeto educacional e as ações de incentivo à leitura, realizadas no âmbito da biblioteca.

Hoje são mais de 13 anos trabalhando como auxiliar de biblioteca escolar. O que posso dizer desse tempo? Aprendi que meu local de trabalho não é um depósito onde se guarda livros e outros materiais; aprendi que tenho um papel social e educativo importante dentro da educação escolar; aprendi que o silêncio, tanto exigido dentro das bibliotecas pode ser substituído por conversas, risadas, troca de experiências e que, está tudo bem com isso, porque tudo isso também educa; aprendi que a relação entre auxiliar de biblioteca e estudante pode ser bem mais divertida e eficiente; aprendi que muitas vezes preciso parar o que estou fazendo e, apenas ouvir o estudante que se coloca diante de mim, com algum conflito ou situação que não consegue resolver sozinho; aprendi que preciso conhecer um pouquinho de cada estudante com quem convivo, para fornecer informações adequadas às suas necessidades e, assegurar que respeitem sua individualidade; aprendi que a satisfação de um estudante com uma obra indicada, e a confiança em solicitar outra indicação, são formas de reconhecimento do meu trabalho. Aprendi que, infelizmente, nem sempre vamos ser vistos como agentes educativos importantes e dignos de reconhecimento, mas isso não me faz desistir de tentar mudar essa realidade, isso não me impede de tentar sempre fazer o melhor que posso, tentando proporcionar àqueles que entram na biblioteca onde trabalho e, aos que convivem comigo, memórias inesquecíveis e felizes como essas que guardo

Relatos dos Estudantes sobre a Biblioteca da Unidade Industrial

RELATO 01

Nome: Bruno Leonardo Souza de Castilho

Formando 2019 – Funec Industrial – Teve uma experiência marcante com um determinado livro do acervo da biblioteca, fruto de indicação da auxiliar da biblioteca. Além disso, era leitor assíduo, ganhando destaque como principal leitor de sua sala por dois anos consecutivos (2018/2019).

Sempre tive muito amor pelos livros e pela leitura, nada exercita mais a imaginação do que essa união. E, meus livros favoritos são justamente aqueles onde os (as) autores (as) enchem as páginas de detalhes para estimular a imaginação do leitor.

Não existe lugar melhor no mundo para os livros do que as bibliotecas. As bibliotecas sempre foram, para mim, um dos lugares favoritos, não só pelos livros, mas pelas pessoas de lá também. Lá, você pode compartilhar histórias fictícias com pessoas de verdade. Sempre me admirava como um livro me levava a outro, e livros que disse que nunca leria acabaram se tornando os meus favoritos. Justamente em um desses livros, „Fazendo meu filme‟, da Paula Pimenta, reacendi minha maior paixão: o cinema.

Os filmes sempre foram meu passatempo favorito, adorava assistir e falar sobre eles com meus amigos e saber a opinião deles também. Porém, eu não queria falar apenas das partes legais do filme, eu queria falar sobre tudo: a fotografia, as atuações, a complexidade do roteiro, os diálogos, a sonorização e todo o resto, mas ninguém que eu conhecia se interessava pela parte técnica assim como eu.

Como não encontrava o apoio que procurava nas pessoas próximas a mim e nem no cenário do cinema nacional, acabei desmotivado e desistindo de construir uma carreira na área. Entretanto, esse livro mostrava exatamente isso, uma garota [Fani] que transformou seu passatempo favorito em uma carreira de sucesso, e me fez entender que isso era apenas um desafio de muitos outros. Agora estou no caminho do meu sonho de ser um cineasta e contribuir para a ressignificação e expansão dos horizontes do cinema brasileiro, e devo muito desse entusiasmo à série de livros “Fazendo meu filme”.

Aprendi muito com os livros e vivo aprendendo cada vez mais. Tudo que eu li, seja real ou ficção, ajudou a moldar o meu caráter e o meu conhecimento crítico. E devo tudo isso às bibliotecas e, principalmente, aos bibliotecários, que enxergaram o que eu precisava ler e me fizeram a indicação certa.

RELATO 02

Nome: Isabela Cristina de Jesus Campos

Aluna 2ºB – Funec Industrial – Leitora assídua da biblioteca dessa unidade. Adora principalmente, os livros de romance.

A biblioteca escolar é de grande importância, nos traz paz, conhecimento, amizades. A Biblioteca da Funec tem me ajudado bastante com meus sentimentos e estudos, uma área tranquila e apropriada para leitura e, com ótimos profissionais que nos fornecem e indicam as melhores obras literárias.

A leitura é uma forma de aprender, não só por descobrir palavras novas, mas por aprimorar nossos pensamentos e conhecimentos, trazendo uma grande bagagem de criatividade e de vontade de ler. Ler é prazeroso, e é um bom vício, principalmente para nós adolescentes, que a primeira coisa que pegamos ao acordar é o celular. A leitura precisa ser espalhada e precisa contagiar a todos nós, porque é algo que vai nos fazer crescer, a leitura nos leva longe. Tenho muito que agradecer à Biblioteca Funec e à  equipe sensacional que a forma, sempre nos incentivando cada vez mais para a leitura.

RELATO 03

Nome: Flávio Henrique Goecking

Aluno 3ºB – Funec Industrial – Maior leitor da biblioteca dessa unidade, por dois anos consecutivos (2018/2019).

A primeira vez que entrei na biblioteca foi em 2018, quando eu entrei na escola no primeiro ano, não havia muitos livros famosos e o espaço era um pouco mal otimizado, mas, ainda assim, passei muitos dos meus intervalos por lá.

No ano seguinte houve a mudança dos funcionários da biblioteca e a Cléria [Auxiliar de biblioteca da unidade] veio trazendo muitas novidades, organizando melhor o espaço, trazendo títulos novos, que a escola toda se interessava, pois ela escuta e pede opinião das pessoas. Ela também criou o projeto do “Chá Literário,” onde são reunidos vários leitores para trocas de experiências. É um projeto que eu definitivamente amo, pois permite conhecer outras pessoas, afinal, para mim, a melhor forma de conhecer alguém é pelo que ela lê. Além disso, é possível ter contato com histórias e vivências que sozinho eu não conheceria, mesmo sendo superinteressantes.

A Biblioteca da Unidade Industrial é definitivamente o melhor [espaço] e o que mais vou sentir saudades, futuramente, em toda escola. Fico extremamente grato e feliz por ter conhecido essa profissional incrível e pessoa maravilhosa que é a auxiliar de biblioteca. Espero que esse projeto possa alcançar, e ser tão importante para outras pessoas, quanto é para mim.

RELATO 04                                                                          

“O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê.”

Mário Quintana

Nome: Lucas Gabriel Izidorio

Formando 2019 – Funec Industrial – Tirou uma nota excelente na prova de redação da última edição do ENEM, e atribui esse fato ao gosto pela leitura.

Toda ciência humana já adquirida e desenvolvida é resultado de indivíduos que, de forma incessante, buscavam respostas às perguntas mais complexas. A gênese de toda civilização advém dessa faculdade única e especial: a capacidade criativa. Toda essa informação é encontrada no objeto mais simples já criado. Basta ir à uma biblioteca e procurar por livros, periódicos, enciclopédias, etc. e verá que o conhecimento é acessível a todos, de qualquer raça, orientação ou credo.

A leitura é essencial para a formação e o aprimoramento do senso crítico. O conhecimento liberta as mentes aprisionadas por pensamentos simplistas e cria indivíduos capazes e dotados de razão. Cabe a cada um de nós, como sociedade que procura o bem comum, promover a leitura desde os primeiros passos do indivíduo até sua vida adulta, quando a atuação nos meios sociais se torna significativo.

Somente a libertação da mente, proporcionada pelas ideias advindas da compreensão de um livro, será capaz de criar um mundo democrático, justo e igual. Não é exagero dizer que ler transforma o ser humano, basta olhar as grandes mentes, os maiores líderes e agitadores da história.

Ignorância, do latim ignorantia, que é um derivado de ignorare, cujo significado é “não saber”. Nascemos na ignorância e morreremos nela. No entanto, cada indivíduo é responsável por cuidar do seu intelecto. A leitura foi imprescindível para o meu desenvolvimento. Toda minha personalidade, ideias e crenças foram desafiadas a partir  do momento em que eu comecei a aprofundar em novos conceitos. Além de mudar o paradigma, a leitura é importantíssima para quem procura desenvolver a capacidade da escrita. Quer escrever artigos, textos e análises críticas? Comece lendo. Toda palavra depreendida começa a integrar o seu vocabulário. Sendo assim, sua desenvoltura e capacidade de organizar pensamentos aumentam, gradativamente.

Sou muito grato à biblioteca da Funec Industrial. Fez parte de todo o Ensino Médio: meu canto preferido na escola, além de possuir as melhores fontes de informação que alguém pode procurar – os livros, tinha as melhores pessoas que se possa imaginar. Todo bibliotecário deveria ser valorizado como um professor. Afinal de contas, qual o princípio de toda obtenção de conhecimento? A leitura. E, ninguém melhor pra falar disso, do que quem vive cercado de livros. Todos eles, em maior ou menor grau, são ávidos leitores que procuram uma maneira de aflorar suas ideias e pôr em prática o conhecimento adquirido. Sem dúvidas, possuem papel fundamental na escola e, por conseguinte, na sociedade.