ANÁLISE DA QUANTIDADE DE FLÚOR INGERIDA POR PRÉ- ESCOLARES DEVIDO A UTILIZAÇÃO DE DENTIFRÍCIOS E CONSUMO DE ÁGUA FLUORETADA

Projeto Publicado pela Atena Editora

ANÁLISE DA QUANTIDADE DE FLÚOR INGERIDA POR PRÉ- ESCOLARES DEVIDO A UTILIZAÇÃO DE DENTIFRÍCIOS E CONSUMO DE ÁGUA FLUORETADA

Júlia Dias Cruz

Rafael Duarte Nascimento

Adriana Mara Vasconcelos Fernandes de Oliveira

Juliana Patrícia Martins de Carvalho

ÁREA DO CONHECIMENTO: Química

PALAVRAS-CHAVE: Flúor; Fluorose dentária; Água fluoretada; Dentifrícios.

LOCAL E DATA: Contagem, 2018

RESUMO

O projeto consiste em proporcionar informações às pessoas quanto às fontes e fatores que contribuem para uma exposição excessiva e sistêmica do flúor; já que essa exposição pode ocasionar o surgimento da fluorose dentária, resultando falhas na mineralização do esmalte e na alteração da estrutura do tecido dentário. Pretende-se verificar se a quantidade de flúor consumida por pré- escolares está dentro dos limites exigidos por lei, além de debater sobre a quantidade de flúor ativo e inativo em dentifrícios, pois atualmente não se tem na legislação vigente a garantia da concentração específica destes.

Realizou-se a escolha de escolas de educação infantil no município de Contagem e aplicou-se um questionário direcionado aos pais e responsáveis para colhimento de informações da quantidade de dentifrícios e água fluoretada utilizados e consumidos diariamente por seus filhos e o nível de informação sobre os riscos e consequências do uso indiscriminado de flúor. A partir deste questionário, foi possível estimar a quantidade de flúor ingerida pelos pré-escolares, pela análise de dados e de ensaios físico químicos. O método Colorimétrico SPADNS foi adotado para identificação da real concentração de flúor na água de abastecimento público.

Contudo, tem-se que os alunos estão ingerindo flúor em quantidades maiores que o ideal de até 0,07 mg kg-1 de massa corporal. Por isso, é necessário alertar aos pais os riscos que o fluoreto pode causar, aos quais seus filhos estão expostos e recorrer ao poder público medidas de conscientização e combate ao aumento do índice de fluorose dentária no país.

ABSTRACT

The project is to provide information to people about the sources and factors that contribute to excessive and systemic fluoride exposure; as this exposure can cause the emergence of dental fluorosis, resulting in failures in enamel mineralization and alteration of tooth tissue structure. It is intended to verify if the amount of fluoride consumed by preschoolers is within the limits required by law, besides debating on the amount of active and inactive fluoride in dentifrices, since currently there is no guarantee of the specific concentration of these in the current legislation.

The selection of elementary schools in Contagem was carried out and a questionnaire was applied to parents and guardians to collect information on the amount of toothpaste and fluoridated water used and consumed daily by their children and the level of information about the children. risks and consequences of indiscriminate use of fluoride. From this questionnaire, it was possible to estimate the amount of fluoride ingested by preschoolers through data analysis and physical chemical tests. The SPADNS Colorimetric method was adopted to identify the true concentration of fluoride in public water supply.

However, students have ingested more than ideal fluoride up to 0,07 mg kg-1 body mass. Therefore, it is necessary to warn parents about the risks that fluoride can cause their children are exposed to and to use public awareness measures to combat the increase in the rate of dental fluorosis in the country.

  1. INTRODUÇÃO

Têm-se conhecimento de que o Flúor propicia a redução dos índices de cáries nos dentes, fortalecendo os dentes de crianças ao se concentrar nos ossos em crescimento, além de reparar o esmalte dentário através da recomposição do cálcio e fósforo perdidos para manter os dentes duros através da remineralização. Por conta destes benefícios e ao aumento da incidência de cáries no mundo, foram tomadas iniciativas por órgãos públicos para o incentivo à fluoretação da água de abastecimento.

Desde 1945, diversos países possuem em vigor uma legislação para a adição de flúor na água, como a Lei brasileira no 6.050, de 24 de Maio de 1974 e os Limites da Portaria 2914 do Ministério da Saúde que sancionam que as águas de abastecimento público devem sofrer o processo de fluoretação com concentração de no máximo 1,5 mg L-1 de Flúor. A fluoretação da água de abastecimento público consiste na adição controlada de um composto de flúor e representa uma das principais e mais importantes medidas de saúde pública no controle da cárie dentária (RAMIRES, BUZALAF, 2007).

Além da fluoretação de água, foram feitas medidas para a adição de fluoretos em dentifrícios. De acordo com a (CURY, J. A.; TENUTA, L. M. A, 2010), dentifrícios devem conter entre 1000 a 1500 ppm de fluoreto. Posterior a essas medidas, foi observada a diminuição dos índices de cárie no Brasil, de acordo com o Gráfico 1.


Gráfico 1: Variação dos valores do CPO-D médio aos 12 anos no Brasil, período de 1980 a 2010, considerando os anos em que foram executados levantamentos nacionais de saúde bucal
Fonte: REVODONTO

No Brasil, a maioria dos dentifrícios utilizados pela população tem como abrasivo o carbonato de cálcio (CaCO3) e são formulados com monofluorfosfato de sódio (MFP = Na2FPO3). Entretanto, em função do tempo, o MFP sofre hidrólise liberando íon flúor, o qual é inativado pelos íons Ca++ do abrasivo. Essa reação é lenta e com o passar do tempo há redução gradativa de flúor solúvel e consequentemente aumento de flúor insolúvel em formulações contendo MFP/CaCO3. Assim, nessas formulações parte do flúor total (FT) está solúvel na forma de íon MFP mais íon flúor (flúor solúvel total, FST) e parte está insolúvel (inativo contra a cárie) (CURYet al., 2015).

A Resolução 79, Anvisa, 28/8/2000 apenas estabelece que o dentifrício não pode conter mais que 0,15% (1.500 ppm de F) de flúor total, sem estabelecer o mínimo de flúor solúvel que ele deveria conter para ter potencial anticárie, a qual de acordo com revisões sistemáticas deve ser igual ou maior que 1.000 ppm de F. (CURY, CALDARELLI, TENUTA, 2015).

A ingestão excessiva e sistêmica de fluoreto, acima de 0,07mg kg-1 de peso diariamente, possui malefícios podendo causar a curto prazo: tremores, dores abdominais, fraqueza, náuseas, diarreia, etc.; e a longo prazo: problemas na tireoide e aos ossos, levando à osteoporose ou fluorose dentária. A fluorose é um defeito de formação do esmalte dentário, resultante da ingestão excessiva e sistêmica de flúor durante o desenvolvimento do dente. Possui crianças como as mais afetadas, principalmente antes dos seis anos de idade, época de transição entre os dentes decíduos para os permanentes.

No entanto, os males são somente estéticos, gerando manchas na superfície dos dentes de tons que variam entre o branco e o marrom claro, não voltando naturalmente à sua coloração natural. Por conta dessas doenças, diversas controvérsias foram especuladas pela adição de flúor na água e dentifrícios, gerando o banimento da adição de Flúor em água de abastecimento público em países, como Suécia e Dinamarca.

Países europeus não têm aderido à medida com unanimidade. Holanda, Suécia e Finlândia chegaram a fluoretar suas águas, porém, mais tarde, interromperam o processo. Outros países, como Suíça, Hungria, França e Dinamarca, nunca aderiram a esse método, embora os delegados desses países, na Assembleia Mundial da Saúde, sempre tenham votado favoravelmente à medida, em escala mundial. (FERREIRA et al., 2014).

A fluorose pode ser provocada por sobre doses de ingestão do elemento como, por exemplo, a soma deste na água de abastecimento com alimentos muito ricos em flúor ou erros na prescrição de sua suplementação (CHEDID, GUEDES-PINTO, 1997), ou ainda o início precoce da escovação com dentifrício fluoretado.

Devido à adoção de métodos preventivos à cárie, utilizando produtos fluoretados, tem sido relatado nos últimos anos aumento na prevalência de fluorose dental, mesmo em regiões em que a água não é fluoretada. Além da água, os dentifrícios fluoretados são considerados fatores de risco (CURYet al., 2001).

Analisando os dados de prevalência da fluorose dentária no Brasil nos anos de 2003 a 2010, de acordo com a Tabela 1, têm-se um aumento de aproximadamente 10% no país posterior às medidas tomadas pelos órgãos públicos. Observando-se as regiões do território brasileiro (Tabela 2), tem-se que as regiões Sul e Sudeste apresentaram o maior índice de prevalência no ano de 2010. Acredita-se que essa observação se deve às desigualdades socioeconômicas que exercem grande influência sobre a saúde e as condições de vida das pessoas. Fatores socioeconômicos como renda, tipo de moradia, nível de escolaridade, número de moradores na residência e escolaridade dos pais são influenciadores e indicadores de risco à fluorose dentária

Tabela 1: Distribuição da prevalência de fluorose segundo domínio de estudo e ano

Prevalência de Fluorose Dentária
Local 2003 2010
Brasil 7,40% 16,70%

Fonte: SBBrasil 2003 e SBBrasil 2010.

Tabela 2: Prevalência e gravidade da fluorose dentária aos 12 anos, segundo a região

Fator   Região
Sem fluorose Com fluorose
89,60% 10,40% Norte
85,50% 14,50% Nordeste
80,90% 19,10% Sudeste
85,20% 14,80% Sul
88,70% 11,30% Centro-Oeste
83,30% 16,70% Brasil

Fonte: Secretaria de Atenção à Saúde / Secretaria de Vigilância em Saúde (BRASIL,2010).

Em suma, pode-se notar que, o princípio segundo o qual um bem ou serviço qualquer implica risco ou representa fator de proteção para a saúde pública, além do controle do produtor sobre o processo de produção, distribuição e consumo, deve-se haver, também, controle por parte das instituições do Estado, ou seja, com as diversas fontes de flúor hoje existentes e com o aumento do índice de fluorose dentária no país, deve-se controlar e determinar se a quantidade de flúor consumida pelas crianças está dentro dos parâmetros exigidos por lei, além de debater sobre a quantidade de flúor ativo e inativo  (próprio e impróprio ao combate a cárie, respectivamente) em dentifrícios, pois atualmente não se tem na legislação vigente a garantia da concentração específica destes.
2 . METODOLOGIA

2.1 . Elaboração e Entrega dos Questionários

O projeto se iniciou com o levantamento bibliográfico de pesquisas e artigos que abordaram como tema a fluorose dentária, além de legislações e portarias de órgãos públicos. Com base nas pesquisas realizadas, realizou-se a escolha de escolas no município de Contagem da rede pública e privada, que apresentam crianças entre 2 a 5 anos, para serem submetidas a análises quanto à ingestão de flúor, através da aplicação de um questionário entregue aos respectivos alunos direcionado aos pais e/ou responsáveis destes.

O questionário teve o intuito de conhecer a quantidade de dentifrícios utilizada e de água fluoretada consumida diariamente pelos pré-escolares, o nível de informação sobre o risco do uso indiscriminado de flúor e das consequências da fluorose dentária por parte dos responsáveis. A partir do questionário, foi analisado se aspectos socioeconômicos alteraram, relevantemente, as respostas obtidas. O questionário, juntamente com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, elaborado e entregue aos pais/responsáveis estão encontram-se anexo ao final do artigo.


2.2. Análise Laboratorial – Método Colorimétrico SPADNS Procedimento

  1. Preparou-se uma solução padrão de fluoreto de sódio (NaF) de 1 mg L-1 e um branco com água destilada.
  2. O Cloro adicional da amostra foi eliminado previamente por adição de uma gota (0,05 mL) de solução de Arsenito de sódio (NaAsO2) 5 g L-1 para cada mg L-1 desse.
  3. Para cada uma das soluções padrões de fluoreto e amostra, foram retirados 50 mL e adicionados 10 mL da solução de SPADNS sobe vigorosa agitação (C16H9N2Na3O11S3).
  4. O Cloro adicional da amostra foi eliminado previamente por adição de uma gota (0,05 mL) de solução de Arsenito de sódio (NaAsO2) 5 g L-1 para cada mg L-1 desse.
  5. O espectrofotômetro foi ajustado para 570 nm e tarou o zero de absorbância com água destilada.
  6. Determinou-se a absorbância dos padrões de 0 e 1 mg L-1 de fluoreto e da amostra.
  7. Utilizou-se o seguinte cálculo para determinar a concentração de flúor na amostra:

                               mg L-1 F- =  (A0 – Ax) / (A0- A1)

Onde: A0 = Absorbância do padrão 0 mg L-1 fluoreto; A1 = Absorbância do padrão 1,0 mg L-1 de fluoreto; Ax = Absorbância da amostra preparada.


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Questionários

A partir do questionário, obtiveram-se os resultados abaixo.

Gráficos numerados de 2 a 9: Resultados obtidos a partir da análise de dados
 do questionário entregue aos pais e responsáveis

A amostragem analisada baseou-se em 65 questionários preenchidos e devolvidos de 302 entregues às escolas. Através do tratamento de dados,  analisou-se que 74% dos responsáveis estão cientes sobre a fluoretação da água de abastecimento público; 98% dos responsáveis estão cientes sobre a adição de Flúor em dentifrícios; 52% dos responsáveis não estão cientes sobre os riscos que o flúor pode causar; 65% dos responsáveis não tem conhecimento sobre a fluorose dentária; 98% dos responsáveis orientam seus filhos durante a escovação; 74% dos responsáveis aplicam pastas dentais específicas para crianças. Têm-se também, que a maioria dos alunos escovam os dentes duas vezes ao dia e que a maioria dos alunos iniciou a escovação entre 1 a 3 anos ou menos.

Gráfico 9: Nível Socioeconômico x Resultados

Esse gráfico demonstra o risco do pré-escolar em desenvolver Fluorose dentária a partir das respostas dadas pelos seus pais/responsáveis e comparando com o nível de escolaridade desses. À medida que a linha se a afasta do centro maior é o risco em ocorrer a prevalência da fluorose na criança a partir dos conhecimentos de seus responsáveis.

Com a análise do gráfico “Nível Socioeconômico x Resultados”, pode-se notar que, os resultados não variaram relevantemente, uma vez que a amostragem entre escolas da rede pública e privada foi feita em uma região pequena, demonstrando uma variação de renda, escolaridade, e outros fatores, muito pequena em relação ao esperado. Entretanto, de acordo com as pesquisas bibliográficas, sabe-se que mudanças drásticas de fatores socioeconômicos afetam esses dados, como a falta de saneamento básico, ingestão excessiva de fast food ou enlatados, entre outros.

3.2. Análise Laboratorial

Dados:

Absorbância do padrão 1 mg L-1 de fluoreto: 0,824

Absorbância do padrão 0 mg L-1 fluoreto: 0,855

Absorbância da amostra preparada: 0,881

Concentração verificada:

Com isso, verifica-se que a concentração de Flúor na água de abastecimento público condiz com a Lei brasileira no 6.050, de 24 de Maio de 1974 que sanciona que a concentração de fluoreto pode ser no máximo de 1,500 mg L-1.

3.3. Análise Geral

Para calcular a quantidade de flúor ingerida pelas crianças, utilizou-se a seguinte fórmula como base:

Sendo:

CFA: Concentração de flúor em água de abastecimento público (0,8387 mg L-1 F-)

VC: Volume de um copo (200 mL)

QC: Quantidade de copos de água ingeridos

CFD: Concentração de flúor em dentifrícios

DD: Dose de dentifrício utilizada durante a escovação

QE: Quantidade de escovações diárias

Considerando que a água possui concentração de 0,8387 mg L-1 F- (anteriormente calculado), dentifrícios possuem concentração em média de 1250 ppm F- e que a capacidade de um copo é de 200 mL, variou-se a quantidade de água consumida e de pasta dental utilizada. Posteriormente, calculou-se a quantidade de flúor ingerida pelos pré-escolares, fazendo sempre um comparativo de quantidades caso a pasta dental não fosse ingerida e caso fosse totalmente ingerida.

  • Ingerindo 6 copos de água, realizando 2 escovações diárias com a quantidade de pasta dental semelhante ao tamanho de uma ervilha (± 0,25 g), tem-se:

– Caso a pasta dental não fosse ingerida durante a escovação:

Quantidade de Flúor ingerida = 1,00644 mg dia-1

– Caso a pasta dental fosse totalmente ingerida durante a escovação:

Quantidade de Flúor ingerida = 1,00644 + 0,625

Quantidade de Flúor ingerida = 1,63144 mg dia-1

Realizando o mesmo raciocínio, determinou-se a quantidade de flúor ingerida variando a quantidade de água consumida e de pasta dental utilizada, conforme na Tabela 3.

  Análise da Quantidade Flúor Ingerida
      Dados diários   Condição de uso
  Sem ingerir pasta dental (mg dia-1)   Ingerindo pasta dental (mg dia-1)
  1   3 copos de água (600 mL) + 2 escovações (0,5 g)   0,50322   1,12822
  2   4 copos de água (800 mL)
+ 2 escovações (0,5 g)
  0,67096   1,29596
  3   8 copos de água (1,6 L)
+ 2 escovações (0,5 g)
  1,34192   1,96692
  4   9 copos de água (1,8 L)
+ 2 escovações (0,5 g)
  1,50966   2,13466
  5   3 copos de água (600 mL)
+ 3 escovações (0,75 g)
  0,50322   1,44072
  6   4 copos de água (800 mL)
+ 3 escovações (0,75 g)
  0,67096   1,60846
  7   8 copos de água (1,6 L)
+ 3 escovações (0,75 g)
  1,34192   2,27942
  8   9 copos de água (1,8 L)
+ 3 escovações (0,75 g)
  1,50966   2,44716

Tabela 3: Análise da Quantidade Flúor Ingerida.

Sabe-se que crianças de 2 a 5 anos de idade são afetadas pela fluorose, por estarem desenvolvendo sua arcada dentária. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças saudáveis na faixa etária citada possuem, em média, uma massa corporal de 15,2 kg. Tomando que a quantidade de flúor ideal a ser ingerida pelos pré-escolares é de 0,07 mg kg-1 de peso diariamente, tem-se, como demonstrado abaixo, que o máximo a ser ingerido seria de:

Quantidade ideal de F- a ser ingerida = 0,07 x massa corporal

Quantidade ideal de F- a ser ingerida = 0,07 x 15,2

Quantidade ideal de F- a ser ingerida = 1,064 mg dia-1.

Portanto, de acordo com a Tabela 3, tem-se que quando a pasta dental é totalmente ingerida, o limite de 1,064 mg/dia F- sempre é ultrapassado e que a não ingestão de pasta dental pode ajudar a prevenir esse excedente, como visto nas suposições 1, 2, 5 e 6. Entretanto, os demais dados demonstraram uma ingestão maior ao estabelecido de Fluoreto apenas com a ingestão de água, ou seja, a concentração de flúor da água de abastecimento público está excedendo o limite, por si só, no decorrer do consumo diário.

  • CONCLUSÃO

Verificou-se que fatores socioeconômicos não influenciaram significativamente nas respostas dadas, uma vez que a amostragem entre escolas da rede pública e privada foi feita em uma região pequena, demonstrando uma variação de renda, escolaridade, e outros fatores, muito pequena em relação ao esperado. Entretanto, de acordo com as pesquisas bibliográficas, sabe-se que mudanças drásticas de fatores socioeconômicos afetam esses dados, como a falta de saneamento básico, acesso à internet, ingestão excessiva de fast food ou enlatados, entre outros.

Em suma, pôde-se notar que, por meio da análise de dados e da referência bibliográfica consultada, os pré-escolares apresentam grande tendência a adquirir fluorose dentária, uma vez que o limite estabelecido de ingestão máxima de fluoreto calculada é de 0,07 mg kg-1 de peso diariamente. Esse limite foi ultrapassado em todas as situações estipuladas em que a criança ingere a pasta dental. Em alguns casos, esse risco prevaleceu mesmo que fosse consumindo apenas água.

Isso demonstra uma fragilidade na legislação vigente com relação à fluoretação na água de abastecimento público, pois essa é reconhecida como um importante fator para o declínio da prevalência da cárie dentária, porém percebe-se a necessidade de monitoramento, a fim de que o teor de flúor seja mantido dentro dos reais padrões adequados para o controle da cárie e prevenção da fluorose dentária.

Em relação ao Flúor ativo e inativo, tem-se que apenas o primeiro é capaz de combater cárie. Portanto, o segundo é capaz de contribuir apenas para a fluorose. É necessário alertar aos pais e a população sobre os riscos que o flúor pode causar, através dos rótulos de produtos que contêm Flúor, por campanhas de conscientização ao correto uso de pastas dentais aos pais/responsáveis e aos educadores que tanto convivem com essas crianças, para que essas possam ter acesso aos benefícios do flúor.

É importante ressaltar que essa conscientização foi feita pelos elaboradores do projeto ao retornar os dados obtidos às escolas parceiras e alertá-los sobre os riscos do flúor e da fluorose dentária. Por fim, este trabalho cumpre seus objetivos principais de conscientizar e ajudar a sociedade a perceber a importância de descobrir, redescobrir e rever a verdade apresentada a esta, para que, assim, possa-se formar um futuro, baseando-se em fatos.

  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Título do projeto: Análise da quantidade de flúor ingerida por pré-escolares devido à utilização de dentifrícios e consumo de água fluoretada.

NOME DOS ESTUDANTES: Júlia Dias e Rafael Duarte

1) Introdução: Seu filho (a) foi convidado (a) a participar do estudo intitulado: Análise da quantidade de flúor ingerida por pré-escolares devido à utilização de dentifrícios e consumo de água fluoretada. Sua participação não é obrigatória, a qualquer momento ele(a) pode desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua relação com o pesquisador ou com a instituição.

2) Objetivos: Essa pesquisa  tem como objetivos identificar relações com uso de pasta dental e água fluoretada com a incidência de fluorose em crianças pré-escolares.

3) Metodologia: Os participantes deste estudo responderão um questionário simples sobre hábitos de higiene dental e consumo de água.

4) Participação no estudo: A participação neste estudo é voluntária. Seu (sua) filho (a) tem o direito de não querer participar ou de sair deste estudo a qualquer momento.

5) Caráter Ético: Essa pesquisa respeitará as normas estabelecidas no estatuto da criança e do adolescente (ECA)

6) Riscos e Benefícios: A pesquisa não oferece riscos e possui como benefício esclarecimentos a respeito do consumo de flúor.

7) Caráter Confidencial dos Registros: Os pesquisadores manterão a identidade dos voluntários com padrões profissionais de sigilo. Os testes permanecerão confidenciais, bem como seu nome ou qualquer material que indique sua participação. Seu filho não será identificado (a) em nenhuma publicação que possa resultar desse estudo. Uma cópia desse consentimento será arquivada na coordenação de Projetos de Iniciação Científica da FUNEC.

Dou meu consentimento de livre e espontânea vontade e sem reservas para que meu (minha) filho (a) participe deste estudo.

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Assinatura do representante legal

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Declaro que expliquei todos os detalhes da realização do estudo e da participação dos estudantes aos seus representantes legais.

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Assinatura do pesquisador

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Questionário relacionado a ingestão de flúor, fatores socioeconômicos
e conhecimentos sobre a Fluorose Dentária

  Água
Você sabia que a água abastecida pela COPASA sofre o processo de fluoretação? (   ) Sim (   ) Não
Quantos copos, em média, de água seu(a) filho(a) ingere por dia?   (   ) Quatro ou menos (   ) Entre quatro a oito (   ) Oito ou mais
  Dentifrícios e escovação
Você sabia que cremes dentais contêm flúor? (   ) Sim (   ) Não
Você observa e orienta seu filho durante a escovação? (   ) Sim (   ) Não
Quantas vezes seu(a) filho(a) escova os dentes ao dia?   (   ) Uma (   ) Duas (   ) Três ou mais
Aproximadamente, qual a quantidade (tamanho, em média) de pasta dental utilizado nas escovações dentárias de seu(a) filho(a)? (   ) Grão de arroz (   ) Ervilha ( ) Maior que uma ervilha
Você iniciou a escovação dentária em seu(a) filho(a) quando ele tinha qual idade?   (   ) Menos de um ano ( ) Entre um a três anos (   ) Mais que três anos
Seu(a) filho(a) utiliza pasta dental específica para crianças? (   ) Sim (   ) Não
Qual a marca de pasta dental usada pela criança?  
  Fluorose dentária
Você conhece os perigos que o flúor pode causar? (   ) Sim (   ) Não
Você sabe o que é fluorose dentária? (   ) Sim (   ) Não
Você conhece alguém que tem fluorose dentária? (   ) Sim, poucas (   ) Sim, muitas (   ) Não
  Fatores socioeconômicos e outros
Qual é o seu nível de escolaridade?   (   ) Ensino Fundamental (   ) Ensino Médio (   ) Educação Superior
Ao buscar conhecimento sobre variados, qual a sua fonte de pesquisa? (exemplos: livros, revistas, internet)  
Você leva seu(a) filho(a) ao dentista pelo menos uma vez ao ano? (   ) Sim (   ) Não
Você busca orientações ao ir em um dentista? Se sim, quais?    

Obrigada pela colaboração!

Participação e Apresentação no 58º Congresso Brasileiro de Química – São Luiz – MA – 2018