IDENTIFICAÇÃO MICROBIOLÓGICA EM BANHEIROS DO CENTEC E SEUS RISCOS PARA TRANSMISSÃO DE INFECÇÕES URINÁRIAS

FUNDAÇÃO DE ENSINO DE CONTAGEM – FUNEC/CENTEC

Projeto Publicado pela Atena Editora

IDENTIFICAÇÃO MICROBIOLÓGICA EM BANHEIROS DO CENTEC E SEUS RISCOS PARA TRANSMISSÃO DE INFECÇÕES URINÁRIAS

Camila Kathleen Aquino Silva

Júlia Gabriela Machado da Silva

Orientador: Helena Gadetto L. dos Reis 

Co-Orientador: Rodrigo Lobo Leite

PIBIC-Jr – BIÊNIO: 2018/2019

ÁREA DO CONHECIMENTO: Microbiologia

PALAVRAS-CHAVE: banheiros, infecções urinárias, higienização, análise microbiológica, análise bioquímica, contaminação.

LOCAL E DATA: Contagem, 2018

RESUMO

Os banheiros são locais insalubres em que pode ocorrer a contaminação com microrganismos infecciosos, seja através das maçanetas, vasos sanitários, torneiras, válvula de descarga, entre outros. Podem ser transmitidos de forma indireta ou direta, sendo as mãos consideradas importantes fontes de contaminação e transmissão de microrganismos por estarem em contato com superfícies e pessoas. A transmissão pode ocorrer também através de fômites.

Os banheiros da escola FUNEC unidade CENTEC são locais utilizados na sua maioria por alunos e funcionários que lá frequentam, sendo uma diversidade muito grande, e com isso existe a possibilidade da presença de diversos tipos de microrganismos nas superfícies, tais como vaso sanitário, pias, maçanetas que são prejudiciais e potencialmente responsáveis por infecções no trato urinário.

Os usuários, independente de sexo, raça, podem transferir os contaminantes que porventura possam estar em suas mãos ao abrir a torneira, e após a lavagem, voltam a contaminar as mãos ao fechar a torneira, estabelecendo o quadro infeccioso.

Os agentes etiológicos, mais frequentemente envolvidos com ITU adquirida na comunidade, são em ordem de frequência: a Escherichia coli, o Staphylococcus saprophyticus, espécies de Proteus e de Klebsiella e o Enterococcus faecalis. A E. coli, sozinha, responsabiliza-se por 70% a 85% das infecções do trato urinário adquiridas na comunidade.

A metodologia consistiu em identificar a presença de bactérias que são responsáveis por infecções no trato urinário, presentes nos banheiros da FUNEC/CENTEC, através de uma pesquisa experimental. As amostras foram colhidas de torneiras, vasos sanitários e maçanetas, com auxílio da Swab; e foram estriadas nos meios de cultura, para a realização da análise microbiológica. Após os testes microbiológicos, a análise bioquímica para diferenciação das Enterobactérias e das espécies do gênero Staphylococcus foi feita e os resultados encontrados.

Em relação aos bastonetes Gram – Negativos, os resultados encontrados foram: 30% de Escherichia coli, 5% de Enterobacter e 5% de Morganella morganii (sendo os três microrganismos encontrados causadores de infecções urinárias) e 60% de outros bastonetes gram negativos.

Das 18 amostras em que a coagulase foi realizada, apenas uma obteve resultado de coagulase positiva, indicando a possibilidade da presença de Staphylococcus aureus. As outras 17 amostras tiveram como resultado coagulase negativa, indicando a presença das outras espécies de Staphylococcus.

Tais resultados permitem concluir que os banheiros possuem em suas superfícies microrganismos causadores de ITU, podendo ser considerados transmissores desses agentes. O que denota grande risco, visto que um grande número de pessoas utilizam esses banheiros e se tornam expostas à contaminação, havendo necessidade de melhor higienização/desinfecção dos banheiros e melhor atenção de seus usuários, pois tal processo é importante mecanismo de prevenção.

INTRODUÇÃO

Os banheiros são locais insalubres em que pode ocorrer a contaminação com microrganismos infecciosos, seja através das maçanetas, vasos sanitários, torneiras, válvula de descarga, entre outros. Podem ser transmitidos de forma indireta (mecanismo segundo o qual bioagentes patogênicos, montados ou não no substrato com qual são eliminados, necessitam de um suporte mediatizador, veículo ou hospedeiro intermediário, para percorrerem toda ou parte da distância que separa o indivíduo infectado do suscetível, onde deverão desenvolver-se ou multiplicar-se, estabelecendo a infecção) ou direta (mecanismo de transferência de um determinado agente causador (vírus, bactérias, protozoários, entre outros.) em que não há interferência de veículos [vetores]), sendo as mãos consideradas importantes fontes de contaminação e transmissão de microrganismos por estarem em contato com superfícies e pessoas. A transmissão pode ocorrer também através de fômites (qualquer objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes ou infecciosos (de germes a parasitas), de um indivíduo a outro).

Os banheiros da escola FUNEC unidade CENTEC são locais utilizados na sua maioria por alunos e funcionários que lá frequentam, sendo uma diversidade muito grande, e com isso pode existir a possibilidade da presença de diversos tipos de microrganismos nas superfícies, tais como vaso sanitário, pias, maçanetas que são prejudiciais e potencialmente responsáveis por infecções no trato urinário.

Os usuários, independente de sexo, raça, podem transferir os contaminantes que porventura possam estar em suas mãos ao abrir a torneira, e após a lavagem, volta a contaminar as mãos ao fechar a torneira, estabelecendo o quadro infeccioso.

Os agentes etiológicos, mais frequentemente envolvidos com ITU adquirida na comunidade, são em ordem de frequência: a Escherichia coli, o Staphylococcus saprophyticus, espécies de Proteus e de Klebsiella e o Enterococcus faecalis. A E. coli, sozinha, responsabiliza-se por 70% a 85% das infecções do trato urinário adquiridas na comunidade.

A maior suscetibilidade à infecção no sexo feminino é devida às condições anatômicas: uretra mais curta e sua maior proximidade com vagina e com ânus. Outros fatores que aumentam o risco de ITU nas mulheres incluem: episódios prévios de cistite, o ato sexual, o uso de certas geleias espermicidas, a gestação e o número de gestações, o diabetes (apenas no sexo feminino) e a higiene deficiente, mais frequente em pacientes com piores condições socioeconômicas e obesas.

No caso de banheiros públicos a higienização e principalmente a forma de uso aumentam essa frequência em mulheres.

OBJETIVO

A pesquisa teve como objetivo a realização da análise microbiológica de superfícies dos banheiros da Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC) unidade CENTEC e identificar os microrganismos presentes nestes locais, e sua relação com os riscos de ocorrência de infecções urinárias. Além de promover uma melhor higienização e prevenção de contaminação dos usuários dos banheiros analisados, enfatizando que independente do sexo, existe igualdade tanto para ocorrer ou evitar uma contaminação.

METODOLOGIA

A metodologia consistiu em identificar a presença de bactérias que são responsáveis por causar infecções no trato urinário, nas superfícies (vasos sanitários, maçanetas e torneiras) dos banheiros da FUNEC/CENTEC, através de análises microbiológicas e bioquímicas.

As amostras foram colhidas de três superfícies: vasos sanitários, maçanetas e torneiras. De maneira mais específica, coletaram-se duas amostras das maçanetas, duas amostras das torneiras e três amostras dos vasos sanitários (banheiro feminino); duas amostras das maçanetas, duas amostras das torneiras e duas amostras dos vasos sanitários (banheiro masculino).

Tais amostras foram semeadas em meios de cultura ágar Sal Manitol e ágar Teague (EMB). Os meios foram utilizados com o intuito de realizar uma pesquisa de Staphylococcus spp. e Enterobactérias, que são os dois principais grupos que podem causar uma infecção urinária. Os meios de cultura com as amostras semeadas foram incubados na estufa bacteriológica (37°C) por 48h.

Após a incubação, foi feito a apuração das colônias e a técnica de GRAM, realizada com o intuito de classificar bactérias com base no tamanho, morfologia celular e comportamento diante dos corantes.

Com os resultados do GRAM, foi feita uma repicagem em meio ágar PCA para a realização da coagulase dos cocos gram positivos encontrados, e da cultura em meio RUGAI dos bastonetes gram negativos encontrados.

O princípio da coagulase é a verificação da capacidade dos microrganismos reagirem com o plasma e formar coágulo, uma vez que a coagulase é uma proteína com atividade similar à protrombina, capaz de converter o fibrinogênio em fibrina, que resulta na formação de um coágulo visível. Essa técnica permite separar as espécies de Staphylococcus de importância clínica, S. aureus – coagulase positiva, das demais espécies – coagulase negativa. Foi realizada a coagulase de 18 amostras.

O RUGAI possibilita várias reações em um único tubo, verificando basicamente a presença de enzimas, emissão de gás e motilidade. As provas bioquímicas são: motilidade da bactéria pela turvação da lisina, lisina descarboxilase, fermentação da glicose, fermentação da sacarose, produção de gás sulfídrico (H2S), produção de gás, utilização do aminoácido L-triptofano (desaminação), hidrólise da ureia e formação de indol. Esse meio permite identificar Enterobactérias, Vibrios e não fermentadores, como exemplo: Escherichia coli, Shigella spp., Enterobacter spp., Klebsiella spp., Providencia spp., Morganella morganii, Proteus spp., Salmonella spp., Citrobacter spp., Serratia spp., Vibrio spp., e não fermentadores.

RESULTADOS ENCONTRADOS

Resultado da apuração das colônias.

Tabela 1 – Unidades Formadoras de Colônias por cm² cultivadas em Ágar Teague

Superfícies Banheiro Feminino Banheiro Masculino
Maçanetas 1 UFC/cm² 2 UFC/cm²
Torneiras 14 UFC/cm² 630 UFC/cm²
Vasos sanitários 11 UFC/cm² 1 UFC/cm²

Tabela 2 – Unidades Formadoras de Colônias por cm² cultivadas em Sal Manitol

Superfícies Banheiro Feminino Banheiro Masculino
Maçanetas 2 UFC/cm² 10 UFC/cm²
Torneiras 272 UFC/cm² 170 UFC/cm²
Vasos Sanitários 698 UFC/cm² 9 UFC/cm²

Com a técnica do GRAM foi possível classificar as bactérias encontradas em cocos gram positivos e bastonetes gram negativos.

Imagem 1 – Bastonetes gram negativos

Fonte: Elaborada pelas autoras

Das 20 amostras estriadas no RUGAI, seis equivalem a Escherichia coli,uma equivale a Morganella morganii, uma equivale a Enterobacter, e 12 (doze) equivalem a outros bastonetes gram negativos.

Tabela 3 – incidência dos bastonetes gram negativos encontrados em porcentagem (%).

Bactérias encontradas Incidência (em porcentagem)
Escherichia coli 30%
Morganella morganii 5%
Enterobacter   5%
Outros bastonetes gram negativos 60%

Das 18 amostras em que a coagulase foi realizada, apenas uma obteve resultado de coagulase positiva, indicando a presença de Staphylococcus aureus. As outras 17 amostras tiveram como resultado coagulase negativa, indicando a presença das outras espécies de Staphylococcus.

Tabela 4 – incidência dos cocos gram positivos encontrados em porcentagem (%).

Bactérias encontradas Incidência (em porcentagem)
Staphylococcus aureus 5,6%
Staphylococcus spp. 94,4%

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

De acordo com os resultados obtidos na apuração das colônias, observa-se o crescimento significativo nas superfícies das torneiras dos banheiros feminino e masculino. Portanto, chama a atenção pois essas são as que as pessoas possuem maior contato quando utilizam o banheiro.

No trabalho realizado, Escherichia coli, Enterobacter, Morganella morganii, Staphylococcus spp., e Staphylococcus aureus foram os principais microrganismos encontrados. Faz-se válido ressaltar que todas essas bactérias são agentes causadores de infecções do trato urinário, como mostra a tabela a seguir:

Tabela 5 – bactérias encontradas nas superfícies dos banheiros que causam ITU (infecções do trato urinário).

Bactérias encontradas Relações com as infecções do trato urinário
Escherichia coli A bactéria Escherichia coli é o principal agente etiológico de infecções do trato urinário. A E. coli está relacionada a aproximadamente 50% das infecções hospitalares, e de 70 a 90% dos episódios de infecções do trato urinário (ITU).
Morganella morganii Morganella morganii é um microrganismo gram negativo, anaeróbio facultativo que habita o trato gastrointestinal (TGI) de humanos como parte da microbiota normal, porém também constitui importante patógeno correlacionado com infecções oportunistas (Falagas et al., 2006). As infecções de trato urinário são provavelmente as mais frequentes em humanos acometidos por esta bactéria (Cox, 1985).
Enterobacter As bactérias do gênero Enterobacter pertencem à família Enterobacteriaceae, e são bactérias gram negativas, anaeróbias facultativas. Tal gênero provoca infecções do trato gastrointestinal, trato respiratório, trato urinário e na pele.
Staphylococcus aureus As infecções do trato urinário são frequentes na população, sendo uma das infecções causadas por microrganismos mais comuns. A infecção do trato urinário por Staphylococcus aureus pode ocorrer na uretra, na bexiga ou nos rins.
Staphylococcus spp. Estão presentes na microbiota normal da pele, região periuretral e mucosas das vias urinárias e genitais. Quando ocorre desequilíbrio da flora dessas vias causam infecção urinária. São agentes comuns de infecção urinária em mulheres na faixa de 20 a 40 anos.

CONCLUSÃO

Com o trabalho realizado pode-se concluir que as bactérias encontradas nas superfícies dos banheiros da Fundação de Ensino de Contagem (FUNEC) unidade CENTEC, são os principais causadores de infecção no trato urinário (ITU), e essas podem ocorrer em todas as idades e em ambos os sexos.

Faz-se válido ressaltar que na vida adulta, a incidência de infecção urinária se eleva e o predomínio no sexo feminino se mantém, com picos de maior acometimento no início ou relacionado à atividade sexual, durante a gestação ou na menopausa, de forma que 48% das mulheres apresentam pelo menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida. Na mulher, a susceptibilidade à infecção urinária se deve à uretra mais curta e a maior proximidade do ânus com o vestíbulo vaginal e uretra.

Constata-se, então, que as superfícies analisadas podem atuar como veículo de transmissão desses microrganismos infecciosos, havendo necessidade de melhor higienização/desinfecção dos banheiros e melhor atenção dos usuários dos mesmos, pois tal processo é um importante mecanismo de prevenção.

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